
Venâncio Mondlane rejeita acusações de Raúl Novinte

A liderança da ANAMOLA está no centro de uma polémica interna após declarações contraditórias sobre a saída de Raúl Novinte do partido. O antigo coordenador regional do norte afirma ter sido alvo de isolamento político e afastamento deliberado, enquanto o presidente do partido, Venâncio Mondlane, garante que a saída ocorreu por decisão pessoal.
Novinte afirmou em entrevista que foi “combatido, isolado e depois descartado” dentro da estrutura partidária. Segundo explicou, começou a sentir sinais de afastamento após regressar de uma marcha em Memba, quando terá sido informado de que dirigentes locais tinham recebido ordens para cortar contacto consigo. “As pessoas não podiam falar comigo porque o engenheiro Venâncio disse que não queria saber de mim”, declarou, acrescentando que ficou “surpreendido” com a situação.
O antigo coordenador acrescenta que, pouco depois, terá sido instruída a apresentação de uma queixa formal contra si no interior da organização. Novinte considera que estes episódios demonstram um processo de exclusão progressiva dentro do partido, culminando no seu afastamento das actividades políticas.
Do outro lado, Venâncio Mondlane rejeita completamente esta versão dos acontecimentos. O presidente da ANAMOLA afirma que Novinte não foi afastado, mas sim que “escolheu sair” do partido por vontade própria. “Ele decidiu seguir um projecto pessoal. Não há exclusão, há uma escolha individual”, declarou Mondlane, defendendo ainda que o partido possui mecanismos internos de disciplina e regras de conduta aprovadas em convenção.
A divergência intensifica-se ainda mais devido às alegações de Novinte sobre a sua intenção de se candidatar à liderança do partido. Segundo o antigo coordenador, essa ambição poderá ter acelerado o afastamento interno, embora não existam confirmações oficiais. O caso expõe tensões internas na ANAMOLA e levanta questões sobre a gestão de conflitos e a democracia interna no partido.
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Edição e Verificação Editorial
Na perspetiva da Voz do Índico, o caso revela um conflito político interno com versões opostas entre liderança e antigo dirigente, refletindo disputas típicas de consolidação partidária.
A controvérsia também evidencia desafios na gestão de ambições internas e na definição de estruturas de poder dentro de novos projetos políticos.
A Voz do Índico considera que o desfecho deste caso poderá influenciar a perceção pública sobre a coesão interna da ANAMOLA.