
Serviço de Assuntos Sociais identifica mais de 2.200 pessoas em situação de rua e trabalho infantil em Maputo

Segundo o relatório, dos 2.202 casos identificados, 1.528 correspondem a pessoas em situação de rua, 549 à prática de mendicidade e 125 a crianças em situação de trabalho infantil. Entre as pessoas que vivem nas ruas predominam homens adultos, mas o levantamento identificou também centenas de crianças, mulheres e pessoas com deficiência.
O documento refere que a exclusão social, a pobreza extrema e o desemprego continuam a empurrar milhares de cidadãos para situações de vulnerabilidade. Além destes fatores, são igualmente apontadas causas culturais, como a normalização da esmola e a exploração económica de menores.
As autoridades identificaram como principais locais de concentração desta população edifícios abandonados, mercados, zonas comerciais, semáforos, espaços públicos e terminais de transporte, sobretudo no distrito municipal de Kampfumu. O relatório defende uma resposta coordenada entre instituições públicas, organizações da sociedade civil e o setor privado para enfrentar o problema.
Durante a campanha, as equipas realizaram intervenções regulares que incluíram identificação e registo social, apoio psicossocial, encaminhamento para instituições de assistência e ações de reintegração familiar. As atividades decorreram entre julho de 2025 e junho de 2026, sofrendo apenas uma desaceleração entre dezembro e fevereiro devido às festividades e às cheias que afetaram a capital.
O relatório conclui que o combate à população em situação de rua exige uma abordagem integrada e contínua, recomendando o reforço dos recursos e da coordenação entre as diferentes entidades envolvidas.
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Edição e Verificação Editorial
Os números revelam que a situação de rua em Maputo deixou de ser um problema pontual para assumir características estruturais. A predominância de fatores como pobreza, desemprego e desagregação familiar demonstra que o fenómeno vai além da assistência social e exige políticas públicas capazes de gerar oportunidades económicas e fortalecer a proteção das famílias.
A presença de crianças em situação de trabalho infantil é igualmente um sinal de alerta, por comprometer direitos fundamentais e afetar o desenvolvimento das gerações futuras.