
Ruanda confirma permanência das tropas em Cabo Delgado com apoio de Maputo

Segundo o diplomata, o Ruanda já apoiava Moçambique antes mesmo do financiamento europeu à missão militar conjunta. Donat Ndamage declarou que “de 2021 a 2022, o Ruanda esteve presente nas operações” utilizando recursos próprios, acrescentando que o país “tem estado a fazer muitos sacrifícios nestas operações”, apesar de possuir “recursos limitados”.
O embaixador explicou ainda que, caso não exista novo apoio internacional, caberá ao Governo moçambicano analisar “as possibilidades” de financiamento da permanência das forças ruandesas em Cabo Delgado. Actualmente, o contingente do Ruanda no norte de Moçambique conta com mais de 6.300 militares e agentes de segurança destacados para operações contra grupos insurgentes ligados ao extremismo islâmico.
As declarações surgem numa altura em que a União Europeia demonstra hesitação em renovar o financiamento à missão ruandesa, apesar de Bruxelas reconhecer publicamente o papel das forças de Kigali na estabilização de algumas áreas anteriormente dominadas pelos insurgentes.
Até ao momento, o Governo moçambicano ainda não reagiu oficialmente ao anúncio do Ruanda sobre a continuidade da missão militar em Cabo Delgado. A cooperação militar entre Maputo e Kigali começou em 2021, após a intensificação dos ataques insurgentes na província rica em gás natural.
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Na visão da Voz do Índico, a decisão do Ruanda de manter tropas em Cabo Delgado revela que Kigali continua a considerar Moçambique uma prioridade estratégica regional, mesmo perante incertezas no financiamento europeu. A operação ruandesa tornou-se um dos principais pilares de contenção militar da insurgência no norte moçambicano e ajudou a recuperar áreas críticas ligadas aos projectos de gás natural. Contudo, a dependência crescente de forças estrangeiras levanta igualmente questões sobre sustentabilidade financeira, soberania operacional e capacidade das forças moçambicanas assumirem gradualmente o controlo total da segurança na província. A posição da União Europeia também demonstra que o apoio internacional ao conflito poderá tornar-se cada vez mais condicionado por factores políticos, económicos e diplomáticos globais.