
Quatro agredidos em Chibuto devido a boatos sobre atrofiamento de órgãos genitais

De acordo com relatos locais, as quatro vítimas refugiaram-se na esquadra policial de Malehice após serem violentamente atacadas pela população. Contudo, mais de uma centena de pessoas concentrou-se no exterior da esquadra e tentou invadir as instalações, obrigando à intervenção da Polícia da República de Moçambique. As vítimas acabaram transportadas para uma unidade sanitária, sendo que três sofreram ferimentos considerados graves. Perícias médicas realizadas aos alunos que alegavam sintomas não encontraram qualquer anomalia clínica relacionada com desaparecimento ou atrofiamento de órgãos genitais.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) na província da Zambézia informou que já instaurou 19 processos-crime relacionados com disseminação de boatos sobre alegado atrofiamento de órgãos genitais masculinos. Segundo a instituição, os rumores têm provocado perturbações graves da ordem pública e episódios de violência popular em diferentes regiões do país. Oito arguidos já foram detidos e vários mandados de captura emitidos. Um dos envolvidos foi mesmo condenado a 30 dias de prisão em julgamento sumário por espalhar informações falsas relacionadas com os boatos.
O Presidente da República, Daniel Chapo, classificou recentemente os rumores como “boatos” e “mentiras”, afirmando que não existe qualquer caso clínico confirmado relacionado com desaparecimento ou atrofiamento de órgãos genitais após contacto físico. O Chefe de Estado apelou ao fim das agressões e linchamentos motivados pelas falsas crenças. Especialistas moçambicanos ouvidos pela Lusa defendem que o fenómeno deve ser analisado no contexto social, cultural e psicológico das comunidades afectadas. Antropólogos e sociólogos alertam que o medo colectivo e a desinformação estão a alimentar episódios de histeria social e violência extrema.
Analistas consideram que a propagação destes boatos representa actualmente uma séria ameaça à estabilidade social em várias regiões do país. O fenómeno começou em Cabo Delgado e espalhou-se rapidamente através de rumores locais e redes sociais, provocando medo, perseguições e mortes. Organizações civis e autoridades continuam a defender campanhas de sensibilização comunitária para travar a violência popular. Especialistas de saúde reiteram que não existe qualquer base científica para os rumores e que muitos casos estão ligados ao medo, stress e percepção psicológica colectiva.
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Na perspetiva da Voz do Índico, o caso de Chibuto mostra que os boatos sobre alegado desaparecimento de órgãos genitais continuam a transformar-se numa crise de segurança pública e estabilidade social em Moçambique. A rapidez com que rumores sem base científica estão a gerar linchamentos e ataques violentos demonstra fragilidade preocupante no combate à desinformação comunitária. O fenómeno também revela níveis elevados de medo colectivo e vulnerabilidade social em algumas regiões do país. Sem campanhas massivas de sensibilização e respostas institucionais mais firmes, o risco de novos episódios de violência popular poderá continuar a aumentar.