Ormuz reaberto: isso vai mesmo aliviar o combustível e o gás de cozinha em Moçambique?

Por um lado, Ormuz aberto reduz o risco global e pode ajudar a estabilizar os mercados internacionais. Menos tensão significa, em teoria, menos pressão sobre os preços do petróleo e do gás. Mas isso não significa que o efeito chegue automaticamente a Moçambique. Entre o mercado global e a bomba de combustível local, existem vários factores: contratos de importação, custos de transporte, disponibilidade de divisas e capacidade logística interna.
A pergunta mais incómoda é esta: o problema em Moçambique é mesmo falta de produto ou dificuldade em colocar o produto no mercado? Se há combustível nos terminais, como já foi dito pelas autoridades, então a crise pode estar mais ligada a financiamento, distribuição ou gestão do sistema. E mesmo com Ormuz aberto, esses problemas não desaparecem.
Outro ponto importante é a mudança recente das rotas de importação. Se Moçambique já não depende tanto do Médio Oriente, mas sim de mercados asiáticos e americanos, o impacto directo da reabertura de Ormuz pode ser menor do que se imagina. Ou seja, o alívio pode existir… mas não necessariamente aqui, nem agora.
Será que estamos perante uma crise global que nos afecta… ou uma fragilidade interna que o contexto internacional apenas expôs?
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