
OMS confirma casos de hantavírus em navio e países intensificam rastreamento internacional

Segundo informações divulgadas pela OMS e pela Reuters, cerca de 40 passageiros desembarcaram na ilha de Santa Helena numa fase em que a primeira morte a bordo já tinha sido registada. Desses passageiros, pelo menos 29 não regressaram ao navio e seguiram viagem para diferentes países, o que levou autoridades sanitárias internacionais a iniciarem operações urgentes de rastreamento de contactos. Entre os novos casos monitorados estão dois passageiros de Singapura que viajaram num voo em Joanesburgo juntamente com a viúva da primeira vítima mortal do cruzeiro. Na Holanda, uma hospedeira da KLM também foi hospitalizada após contacto com a mesma passageira durante o voo. França e Estados Unidos igualmente monitoram pessoas com sintomas compatíveis com hantavírus.
O director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou esta quinta-feira que “o risco para a saúde pública em geral permanece baixo”, apesar da expansão das investigações internacionais. A OMS confirmou que a variante envolvida é o hantavírus Andes, considerada a única forma conhecida do vírus capaz de transmissão entre humanos em circunstâncias específicas. Maria Van Kerkhove, directora de preparação epidémica da OMS, explicou que a transmissão ocorre normalmente entre contactos muito próximos, como familiares ou pessoas que partilham cabines fechadas. Companhias aéreas e autoridades de saúde começaram igualmente a contactar passageiros de voos associados aos casos confirmados. Enquanto isso, um especialista da OMS permanece a bordo do MV Hondius para acompanhar a situação sanitária até à chegada do navio em Espanha.
O hantavírus é normalmente transmitido através do contacto com urina, saliva ou fezes de roedores infectados, podendo provocar febres hemorrágicas e síndromes respiratórias graves. Casos de transmissão humana são extremamente raros e estão associados sobretudo à variante Andes, identificada em partes da América do Sul. O surto no MV Hondius tornou-se um dos episódios mais incomuns envolvendo cruzeiros marítimos desde a pandemia da Covid-19. O navio realizou uma longa expedição pelo Atlântico Sul após sair de Ushuaia, na Argentina, passando por locais remotos como Antárctida, Geórgia do Sul e Santa Helena. Especialistas internacionais acompanham o caso devido ao potencial impacto global do deslocamento internacional dos passageiros.
As autoridades sanitárias internacionais continuam a monitorar passageiros e tripulantes enquanto o MV Hondius segue em direcção às Ilhas Canárias, em Espanha, onde os ocupantes deverão ser examinados antes do repatriamento para os respectivos países. Analistas de saúde alertam que novos casos poderão surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do hantavírus. Apesar disso, a OMS insiste que não existem sinais de uma pandemia semelhante à Covid-19. O episódio, contudo, reforçou preocupações sobre controlo sanitário em viagens internacionais e protocolos de resposta em navios de cruzeiro. Países envolvidos intensificaram vigilância epidemiológica para impedir qualquer disseminação mais ampla da doença.
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Na perspetiva da Voz do Índico, o caso do MV Hondius demonstra como surtos localizados podem rapidamente transformar-se em preocupação internacional num mundo altamente conectado por viagens aéreas e marítimas. Embora a OMS considere o risco geral baixo, o episódio revela fragilidades persistentes nos mecanismos globais de rastreamento sanitário após experiências traumáticas vividas durante a pandemia da Covid-19. O aspecto mais sensível desta crise está ligado à variante Andes do hantavírus, uma das raríssimas formas conhecidas com potencial de transmissão entre humanos. A rápida dispersão geográfica dos passageiros do cruzeiro criou um cenário complexo para autoridades sanitárias em vários continentes. Em países africanos e economias mais frágeis, surtos importados representam desafios adicionais devido às limitações estruturais dos sistemas de vigilância epidemiológica. O episódio também poderá provocar maior endurecimento dos protocolos internacionais de saúde em cruzeiros, aeroportos e viagens de longa distância nos próximos meses.