
Número de deslocados sobe para 13.409 em Ancuabe

Segundo a OIM, quase metade dos deslocados são crianças, correspondendo a cerca de 6.580 menores afectados pela nova vaga de violência. O relatório aponta igualmente a existência de 3.873 mulheres deslocadas, incluindo 78 grávidas, além de idosos, pessoas com doenças crónicas e cidadãos portadores de deficiência física. As comunidades de acolhimento mais pressionadas localizam-se nas zonas de Nanjua A, Nanjua B, Namanhumbir Sede e Muaja.
A organização humanitária alerta para riscos elevados de separação familiar, violência baseada no género, perda de documentos pessoais e sofrimento psicossocial entre os afectados. A OIM sublinha ainda que continuam urgentes as necessidades de alimentação, abrigo, assistência médica e apoio humanitário básico para milhares de famílias deslocadas.
Os novos números surgem poucos dias depois de estimativas anteriores apontarem para cerca de 11 mil deslocados na região. O aumento reflecte a continuação dos ataques e o clima de medo provocado pela actuação de grupos extremistas associados ao Estado Islâmico em Cabo Delgado. Nas últimas semanas, os insurgentes reivindicaram ataques em Ancuabe, incluindo incêndio de igrejas, destruição de casas e ataques contra civis.
Dados recentes da organização ACLED indicam que mais de 6.500 pessoas morreram desde o início da insurgência armada em Cabo Delgado, em Outubro de 2017. Apesar da presença das forças moçambicanas e ruandesas na província, os ataques continuam a provocar deslocamentos sucessivos e instabilidade humanitária no norte do país.
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Na visão da Voz do Índico, o aumento contínuo do número de deslocados em Ancuabe demonstra que a crise humanitária em Cabo Delgado permanece longe de estar controlada. O dado mais preocupante é que quase metade dos afectados são crianças, revelando o impacto profundo da violência sobre famílias inteiras e comunidades vulneráveis. A sucessão de ataques mostra igualmente que os grupos extremistas continuam capazes de provocar deslocamentos em massa, mesmo após anos de operações militares na região. O desafio já não é apenas militar, mas humanitário, económico e social. Quanto mais prolongado for o deslocamento das populações, maior será a pressão sobre comunidades de acolhimento, serviços básicos e estabilidade regional em Cabo Delgado.