
PRM diz que mortes de mototaxistas em Tete foram acidentais em meio a confrontos com manifestantes

Segundo a PRM em Tete, as vítimas terão sido atingidas de forma não intencional durante a operação. O porta-voz da corporação, Feliciano da Câmara, declarou: “foram vítimas que ocorreram de forma fortuita, de forma acidental, sem qualquer intenção por parte dos agentes da lei e ordem”. A polícia afirma que os confrontos ocorreram após resistência dos mototaxistas às ações de fiscalização, incluindo bloqueios de vias com pedras, pneus e troncos, bem como danos a viaturas e tentativa de apoderamento de uma arma de fogo.
De acordo com os dados avançados pelas autoridades, os protestos ocorreram em bairros como Samora Machel, Matundo e Chingodzi, tendo resultado também na destruição de viaturas e no incêndio de um camião de recolha de lixo do Conselho Municipal de Tete. No decurso da operação, a PRM refere ter apreendido 69 motociclos por irregularidades e detido sete pessoas apontadas como alegados cabecilhas dos protestos. Os feridos foram levados ao Hospital Provincial de Tete, onde duas pessoas acabaram por morrer, permanecendo uma terceira sob cuidados médicos.
O incidente gerou reações de organizações da sociedade civil, com o Centro para Democracia e Direitos Humanos (CDD) a criticar a atuação policial e a exigir investigação independente. A organização considera que existe um padrão preocupante no uso da força, afirmando que este comportamento tem sido visível em diferentes contextos de manifestação no país. O CDD defende a responsabilização dos agentes envolvidos caso se confirmem violações dos procedimentos legais.
Apesar das críticas, a PRM afirma que vai continuar com as operações de fiscalização rodoviária na província, defendendo que estas ações são essenciais para prevenir acidentes de viação e garantir o cumprimento do Código de Estrada. O caso mantém-se sob debate público, com divergência entre a versão das autoridades e as exigências de responsabilização por parte de organizações civis.
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Edição e Verificação Editorial
Na perspetiva da Voz do Índico, o episódio em Tete evidencia tensões recorrentes entre fiscalização estatal e economia informal urbana, particularmente no setor dos transportes de motociclo, que tem crescido como resposta à falta de alternativas formais de mobilidade.
A repetição de incidentes com vítimas mortais em contextos de manifestação levanta questões sobre protocolos de uso da força e capacidade de gestão de protestos em ambientes urbanos densos. A ausência de confiança entre operadores informais e autoridades tende a agravar conflitos operacionais, transformando ações de fiscalização em potenciais focos de instabilidade social.
A médio prazo, a resolução deste tipo de tensão dependerá não apenas de medidas policiais, mas também de políticas estruturais de regulação do transporte informal e canais de diálogo institucional.