Mondlane acusa “clube de poder” da SADC de alimentar xenofobia na África do Sul

Para Mondlane, a raiz do problema está na gestão do African National Congress, que acusa de ter conduzido a África do Sul à crise económica e social. Corrupção, desemprego elevado e políticas públicas falhadas são apontadas como factores que alimentam a frustração popular. Essa frustração, segundo o líder, é desviada para os imigrantes africanos. A xenofobia surge assim como consequência política. O alvo torna-se o mais vulnerável.
O político vai mais longe e denuncia a existência de um “clube de autoproteção” entre partidos históricos da região, incluindo o MPLA, a ZANU-PF e a FRELIMO. Segundo Mondlane, estas formações protegem-se mutuamente, mesmo em cenários de crise e alegadas irregularidades eleitorais. “Reconhecem-se uns aos outros, mesmo quando falham com os seus povos”, defende. A crítica é directa. O tom é de confronto regional.
Mondlane considera ainda que há cumplicidade interna na África do Sul, acusando o governo de usar o problema dos imigrantes como distração para esconder falhas estruturais. “Transformam estrangeiros em inimigos para fugir da responsabilidade”, afirmou em declarações públicas recentes . Para o líder, a crise não é apenas sul-africana, mas regional. O risco de contágio é real. A instabilidade pode alastrar.
As declarações surgem num momento de tensão crescente, com relatos de ataques contra moçambicanos e outros africanos. Mondlane alerta que o silêncio dos governos da região pode agravar a situação. A curto prazo, o impacto já é visível. A médio prazo, o risco é político e económico. A região observa com preocupação. A pressão aumenta sobre os líderes.
Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial
Na perspetiva da Voz do Índico, as declarações de Venâncio Mondlane rompem com o discurso diplomático habitual e expõem uma fragilidade estrutural na SADC: a falta de responsabilização entre Estados.
Ao apontar o dedo a vários governos da região, o líder da ANAMOLA levanta uma questão incómoda: será a xenofobia apenas um problema social ou um reflexo directo de falhas políticas profundas?
Se a crise continuar a ser tratada como um fenómeno isolado, as soluções serão sempre superficiais. Mas se for assumida como resultado de governação falhada, então a resposta terá de ser mais séria — e mais incómoda para quem está no poder.