
Moçambique prevê produzir mais de 21 milhões de toneladas agrícolas

Segundo o Chefe de Estado, o país espera comercializar cerca de 14,6 milhões de toneladas de produtos agrícolas, dos quais 60% deverão ser escoados durante o período de pico da campanha. Entre os principais produtos destacam-se milho, mandioca, arroz, feijão, hortícolas, gergelim e castanha de caju, considerados estratégicos para a segurança alimentar e economia rural.
Daniel Chapo afirmou que o desafio do país não se resume apenas à produção, mas sobretudo à capacidade de garantir mercados organizados, preços justos e escoamento eficiente para os produtores. O Presidente defendeu igualmente o fortalecimento da Bolsa de Mercadorias de Moçambique para funcionar como plataforma de referência na definição de preços e protecção dos agricultores contra práticas especulativas.
O Governo anunciou ainda que pretende avançar com reformas legislativas para limitar a compra directa de produtos agrícolas nas zonas rurais apenas a cidadãos moçambicanos, reservando aos compradores estrangeiros operações comerciais nas capitais provinciais. A medida visa proteger os produtores locais e fortalecer a participação nacional na cadeia de comercialização agrícola.
O Executivo pretende igualmente apostar no agroprocessamento, incentivando a transformação local da produção agrícola para geração de emprego, industrialização e aumento do valor acrescentado dos produtos nacionais. O Presidente defendeu que culturas como castanha de caju, gergelim, amendoim e milho devem impulsionar o surgimento de novas fábricas e oportunidades económicas para jovens e mulheres moçambicanas.
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Na visão da Voz do Índico, o crescimento projectado da produção agrícola representa um sinal positivo para a segurança alimentar e para a economia nacional, sobretudo num período marcado pela pressão inflacionária e subida do custo de vida. Contudo, o verdadeiro teste continuará a ser a capacidade de escoamento, armazenamento e industrialização da produção. Historicamente, muitos produtores continuam vulneráveis à especulação, perdas pós-colheita e falta de infra-estruturas rurais. O discurso de valorização do agroprocessamento e protecção do produtor nacional demonstra uma tentativa de transformar a agricultura numa base efectiva da independência económica. Porém, sem estradas funcionais, acesso ao financiamento, energia estável e mercados organizados, o aumento da produção poderá não traduzir-se automaticamente em melhoria real da renda das famílias rurais.