
Moçambique deixa de ser rota e entra no jogo do narcotráfico, alerta ONU

Dados oficiais mostram um agravamento significativo do problema. Em 2025, as autoridades moçambicanas apreenderam mais de 4,4 toneladas de drogas, num sinal claro da dimensão do fenómeno . Ao mesmo tempo, o consumo interno também disparou: mais de 32 mil pessoas foram tratadas em hospitais por uso de drogas, um aumento de 38% face ao ano anterior .
O ponto mais preocupante é o crescimento das drogas sintéticas. Só no primeiro semestre de 2025, foram apreendidos mais de 416 kg de metanfetamina, evidenciando uma expansão acelerada deste tipo de substâncias no país . Paralelamente, têm sido identificados precursores químicos e desmantelados laboratórios clandestinos, alguns com ligações a redes internacionais.
Perante este cenário, a própria ONU está a apoiar Moçambique na revisão da sua legislação antidrogas, considerada desactualizada desde 1997. O objectivo é adaptar o país às novas realidades do crime organizado e das drogas sintéticas, que evoluem rapidamente .
O país enfrenta agora uma mudança crítica: de território de trânsito para espaço de operação. A curto prazo, cresce o consumo interno e a criminalidade associada. A médio prazo, Moçambique arrisca tornar-se base regional do narcotráfico. O alerta já foi dado. A questão é a resposta.
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Na perspetiva da Voz do Índico, o alerta da ONU não é apenas estatístico — é um sinal de mudança estrutural. Moçambique está a deixar de ser simples rota de passagem para assumir um papel mais ativo nas redes de narcotráfico, impulsionado pelo aumento de apreensões, presença de precursores químicos e crescimento do consumo interno. Isto revela fragilidades institucionais e uma resposta ainda desajustada à sofisticação do crime organizado.
O maior risco está no desfasamento entre a realidade e a capacidade de resposta do Estado. Com uma legislação ultrapassada e redes criminosas cada vez mais avançadas, o país corre o risco de consolidar-se como base regional do tráfico. Se não houver uma resposta firme e estruturada, o problema deixará de ser controlável — e passará a fazer parte do sistema.