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Justiça

Ministro da Saúde denuncia corrupção e roubo de medicamentos no Sistema Nacional de Saúde

O Ministro da Saúde, Ussene Isse, lançou esta quinta-feira um duro alerta contra o roubo, desvio de medicamentos e corrupção na cadeia de abastecimento do sector da saúde, afirmando que estas práticas estão a comprometer seriamente o funcionamento do Sistema Nacional de Saúde em Moçambique. O governante falava durante o II Conselho Nacional de Logística Farmacêutica e Artigos Médicos, que decorre na cidade de Maputo e reúne responsáveis da área farmacêutica, gestores hospitalares e parceiros do sector. Segundo o ministro, a continuidade dos esquemas de corrupção impede que medicamentos e produtos de saúde cheguem adequadamente às unidades sanitárias e à população. Ussene Isse defendeu igualmente maior responsabilização dos gestores envolvidos na cadeia logística. O encontro termina esta sexta-feira com a promessa de anúncio de medidas mais rigorosas contra os infractores.
Publicado às 09:28 • 08/05/2026
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Ministro da Saúde denuncia corrupção e roubo de medicamentos no Sistema Nacional de Saúde
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Durante a sua intervenção, o ministro apontou falhas persistentes no controlo de stocks, desperdícios crónicos, má gestão logística e rupturas evitáveis de medicamentos em diferentes unidades sanitárias do país. Segundo explicou, a fragilidade dos mecanismos de fiscalização facilita desvios de medicamentos e uso indevido de recursos públicos destinados ao sector da saúde. O governante considera que a corrupção na cadeia de abastecimento afecta directamente a qualidade dos serviços médicos prestados à população. Entre as prioridades apresentadas estão o reforço da rastreabilidade dos medicamentos e criação de sistemas mais eficientes de monitoria e controlo. O Ministério da Saúde pretende igualmente reforçar mecanismos internos de integridade e responsabilização institucional.

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“Não haverá confiança no sistema enquanto persistirem práticas de roubo e corrupção na cadeia de abastecimento”, declarou Ussene Isse durante o encontro em Maputo. O ministro acrescentou que “o País já não pode continuar a tolerar situações de uso indevido de medicamentos e recursos públicos”. Noutra passagem do discurso, afirmou que “a cadeia de abastecimento não falha por falta de normas, falha quando não há responsabilização”. O governante defendeu ainda que cada gestor, técnico e decisor deve responder pelos resultados das suas acções dentro do sistema logístico farmacêutico. As declarações foram interpretadas como um dos discursos mais duros feitos recentemente pelo sector da saúde contra práticas de corrupção interna.

Nos últimos anos, Moçambique tem enfrentado denúncias recorrentes relacionadas com desaparecimento de medicamentos, vendas ilegais de produtos hospitalares e fragilidades na gestão logística do sector da saúde. Relatórios de auditoria e investigações judiciais já apontaram casos de desvio de medicamentos em diferentes províncias, afectando sobretudo hospitais públicos e centros de saúde periféricos. Organizações internacionais ligadas à saúde alertam que corrupção na cadeia farmacêutica compromete directamente programas de combate a doenças e acesso da população a tratamentos essenciais. Em vários países africanos, esquemas semelhantes têm provocado escassez artificial de medicamentos e aumento do mercado paralelo. O actual debate surge numa altura em que o Governo tenta reforçar confiança pública no Sistema Nacional de Saúde.

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Especialistas consideram que as medidas anunciadas poderão representar um passo importante para reforçar controlo e transparência no sector farmacêutico moçambicano. Contudo, analistas alertam que o sucesso dependerá da capacidade efectiva de fiscalização e punição dos envolvidos em esquemas de corrupção. O reforço da rastreabilidade poderá igualmente ajudar a reduzir desvios e melhorar gestão de stocks nas unidades sanitárias. Profissionais de saúde defendem que o combate à corrupção deve ser acompanhado por melhorias nas condições de trabalho e modernização dos sistemas logísticos hospitalares. Enquanto isso, cresce a expectativa sobre as medidas concretas que serão anunciadas pelo Ministério da Saúde no encerramento do conselho nacional.

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Redação Voz do Índico
Análise Exclusiva Voz do Índico

Na perspetiva da Voz do Índico, as declarações de Ussene Isse representam um reconhecimento raro e directo de um dos problemas mais sensíveis do sector da saúde em Moçambique: a corrupção na cadeia de medicamentos. O desvio de fármacos não é apenas uma questão administrativa ou financeira, mas um problema que afecta directamente vidas humanas, sobretudo em hospitais públicos que enfrentam carências constantes. Quando medicamentos desaparecem dos armazéns ou entram no mercado paralelo, pacientes vulneráveis acabam privados de tratamentos essenciais. O discurso do ministro mostra igualmente preocupação crescente com a perda de confiança pública nas instituições de saúde. Em vários países africanos, reformas logísticas associadas à digitalização de stocks e rastreabilidade reduziram significativamente esquemas de desvio de medicamentos. O grande desafio para Moçambique será transformar o discurso político em responsabilização efectiva, algo historicamente difícil em sectores públicos afectados por redes internas de corrupção.

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