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Segurança

Mais de 11 mil deslocados após nova vaga de ataques em Cabo Delgado

Pelo menos 11 mil pessoas foram deslocadas após uma nova vaga de ataques armados registados entre finais de Abril e início de Maio nos distritos de Ancuabe e Montepuez, na província de Cabo Delgado. O balanço foi divulgado pela Direção-Geral da Proteção Civil Europeia e das Operações de Ajuda Humanitária (ECHO), que alerta para agravamento da insegurança no Norte de Moçambique. Segundo a agência europeia, grupos armados atacaram aldeias, queimaram casas, realizaram saques e provocaram mortes, sequestros e actos de violência sexual contra civis. Os ataques também destruíram um centro de saúde e edifícios pertencentes à Igreja Católica. A situação voltou a gerar deslocamentos massivos de famílias em diferentes zonas da província.
Publicado há 44 min • 13/05/2026
Mais de 11 mil deslocados após nova vaga de ataques em Cabo Delgado
Análise Detalhada

A ECHO refere que os ataques ocorreram sobretudo em Ancuabe, mas afectaram igualmente o distrito vizinho de Montepuez, para onde parte da população procurou refúgio. No mesmo período, confrontos entre grupos extremistas e forças ruandesas e moçambicanas em Mocímboa da Praia provocaram mortos ainda não oficialmente contabilizados. A agência europeia afirma que o ambiente de segurança continua extremamente instável e dificulta operações humanitárias em várias zonas de Cabo Delgado. O acesso de organizações de apoio às populações afectadas permanece condicionado devido aos confrontos armados e à ameaça de engenhos explosivos improvisados. A ECHO alerta ainda que muitas famílias continuam a deslocar-se repetidamente entre diferentes localidades à procura de segurança.

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Os novos deslocamentos surgem numa altura em que Moçambique já enfrenta uma das maiores crises humanitárias da África Subsaariana relacionadas com conflitos e desastres naturais. Segundo o “Relatório Global sobre Deslocações Internas 2026”, divulgado pelo Centro de Monitorização das Deslocações Internas (IDMC), Moçambique registou 669 mil deslocações em 2025 devido a catástrofes naturais. O relatório destaca os impactos dos ciclones Dikeledi e Chido, que provocaram centenas de milhares de deslocações em Nampula e noutras regiões do país. Paralelamente, o conflito armado em Cabo Delgado gerou mais 339 mil deslocações internas apenas no último ano. Os dados reforçam a dimensão humanitária da crise enfrentada pelo país.

A organização ACLED, especializada na monitorização de conflitos armados, registou 15 incidentes violentos em Cabo Delgado entre 20 de Abril e 03 de Maio, sete deles ligados a extremistas associados ao Estado Islâmico. Segundo o relatório, esses ataques provocaram pelo menos 15 mortos no período analisado. Desde o início da insurgência armada em Outubro de 2017, a ACLED contabiliza mais de 6.500 mortos relacionados com o conflito em Cabo Delgado. O grupo afirma que a maioria dos episódios violentos registados na província envolve elementos ligados ao Estado Islâmico Moçambique. A violência continua a afectar directamente civis, actividades económicas e operações humanitárias no Norte do país.

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O agravamento da insegurança em Cabo Delgado poderá aumentar pressão internacional sobre Moçambique e os parceiros militares envolvidos no combate aos grupos extremistas. Especialistas alertam que os deslocamentos contínuos dificultam reconstrução económica, acesso à educação, assistência sanitária e retorno das populações às zonas afectadas. A instabilidade também continua a representar ameaça estratégica aos projectos de gás natural na região da Bacia do Rovuma. Organizações humanitárias defendem reforço urgente do apoio alimentar, sanitário e de protecção às famílias deslocadas. O conflito permanece como um dos maiores desafios de segurança e estabilidade para Moçambique e para a África Austral.

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Ao Minuto - Mundo
Análise Exclusiva Voz do Índico

Na perspetiva da Voz do Índico, os novos deslocamentos confirmam que Cabo Delgado continua longe de alcançar estabilidade duradoura, apesar das operações militares em curso há vários anos. A persistência dos ataques demonstra que os grupos armados mantêm capacidade de mobilidade e impacto sobre comunidades civis vulneráveis. O mais preocupante é que a crise já ultrapassou a dimensão militar, transformando-se numa emergência humanitária permanente marcada por deslocamentos sucessivos, destruição social e fragilidade económica. O prolongamento da insegurança ameaça não apenas Cabo Delgado, mas também os interesses energéticos estratégicos de Moçambique e a estabilidade regional da África Austral.

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