
Luis Giquira perde a paciência com motoristas e cobradores da Empresa Municipal de Transportes Públicos

Ao longo da sua intervenção, o autarca manifestou preocupação com os elevados custos operacionais, sobretudo com o consumo de combustível. Segundo explicou, há autocarros que chegam a consumir perto de 100 litros de combustível, questionando de onde sairão os recursos para manter a frota em funcionamento caso as receitas continuem abaixo do esperado. "O município produz combustível? Tem bomba própria?", perguntou, defendendo que a autarquia não pode suportar continuamente despesas elevadas sem que exista um retorno compatível com o serviço prestado. Giquira afirmou ainda que o município tem feito todos os esforços para garantir a continuidade dos transportes públicos, mas advertiu que a responsabilidade pela recuperação da empresa também depende do compromisso dos seus trabalhadores.
Num dos momentos mais duros do encontro, Luís Giquira revelou que já afastou quatro trabalhadores e acusou alguns funcionários de adotarem práticas que prejudicam a arrecadação de receitas. "Essas quatro pessoas que eu mandei embora... andavam a fazer boladas com os motoristas. Nem 50% da receita conseguiram fazer", declarou. O presidente acrescentou que a atual direção levou cerca de dois a três anos para recuperar a imagem da empresa, que, segundo disse, era considerada uma instituição falida e sem credibilidade. "Hoje estamos a tentar reabrir a empresa, vocês estão a tentar nos afundar de novo", afirmou, alertando ainda que a redução das receitas pode afetar o pagamento de salários e comprometer o funcionamento da Empresa Municipal de Transportes Públicos.
Durante o encontro, Giquira incentivou os trabalhadores a apresentarem soluções que permitam aumentar as receitas da empresa, em vez de justificações para os baixos valores arrecadados diariamente. O edil sugeriu, inclusive, a possibilidade de expansão dos serviços para rotas provinciais ou interdistritais, caso isso contribua para melhorar o desempenho financeiro da empresa. Ao mesmo tempo, voltou a contestar os números apresentados por alguns motoristas, afirmando que um autocarro com elevada procura dificilmente pode operar durante um dia inteiro e entregar apenas dois mil meticais, considerando que essa realidade não corresponde à capacidade normal de exploração do serviço.
As declarações surgem numa fase em que o Conselho Municipal de Nampula procura consolidar a recuperação da Empresa Municipal de Transportes Públicos, reforçando a frota e melhorando o serviço prestado aos munícipes. Nos últimos meses, a autarquia anunciou investimentos para aumentar o número de autocarros em circulação e expandir a cobertura do transporte público na cidade. Neste contexto, Luís Giquira defende que a sustentabilidade da empresa dependerá não apenas do investimento municipal, mas também de uma gestão rigorosa das receitas e do compromisso dos motoristas e cobradores com o bom funcionamento do serviço.
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Edição e Verificação Editorial
Na perspetiva da Voz do Índico, as declarações do presidente do Conselho Municipal revelam a preocupação da autarquia com a sustentabilidade da Empresa Municipal de Transportes Públicos, num momento em que procura consolidar a recuperação do serviço de transporte urbano. A transparência na gestão das receitas e a responsabilização dos trabalhadores poderão ser fatores decisivos para garantir a continuidade dos investimentos, melhorar a mobilidade dos munícipes e reforçar a confiança da população numa empresa que durante anos enfrentou dificuldades operacionais e financeiras.