
Luís Giquira manifesta insatisfação com abandono de obras e exige maior responsabilidade do executivo

Segundo Luís Giquira, o projecto previa a instalação definitiva de bancas, iluminação e congeladores no mercado para permitir conservação segura do peixe até ao encerramento das actividades comerciais. Contudo, o edil afirmou que parte do equipamento acabou deslocado para outros locais sem autorização, deixando vendedores novamente em condições precárias. O autarca questionou igualmente a ausência de criatividade e soluções de baixo custo por parte dos engenheiros envolvidos no projecto. Durante a intervenção, defendeu a construção de estruturas simples em madeira e melhorias eléctricas básicas para garantir funcionamento adequado do espaço. O dirigente considera que as obras executadas até agora não correspondem às necessidades reais da população.
“Não está a ficar bem. Não é isso que eu pedi”, declarou Luís Giquira durante a visita ao mercado. O edil acrescentou que “quando digo uma coisa, é para lutarem para fazer aquilo que estou a dizer, não para fazer uma coisa da vossa cabeça”. Noutra passagem, questionou directamente os técnicos sobre o verdadeiro objectivo do trabalho realizado, perguntando: “Será que estamos a servir o povo mesmo?”. Giquira mostrou ainda irritação com o abandono das estruturas já construídas e afirmou que “comigo assim não funciona”. O autarca acusou alguns responsáveis de falta de compromisso com os interesses da população e exigiu maior responsabilidade na execução dos projectos municipais.
Nos últimos anos, o Conselho Municipal de Nampula tem apostado na requalificação de mercados e infra-estruturas comerciais ligadas à conservação e venda de pescado. O Mercado do Peixe dos Belenenses foi apresentado pelo município como um projecto estratégico para melhorar as condições de comercialização de peixe na cidade e impulsionar a economia local. Em 2024, Luís Giquira afirmou que o empreendimento poderia transformar o sector pesqueiro da região norte do país através da criação de melhores condições sanitárias e comerciais. Contudo, dificuldades de execução, manutenção e gestão operacional continuam a afectar vários mercados municipais em diferentes cidades moçambicanas. Especialistas alertam que obras públicas sem acompanhamento contínuo acabam frequentemente subutilizadas ou degradadas pouco tempo após a inauguração.
A reacção pública de Luís Giquira poderá aumentar a pressão interna sobre técnicos municipais e responsáveis pela execução de obras comunitárias na cidade de Nampula. Analistas consideram que o episódio demonstra crescente exigência por resultados concretos em projectos financiados para melhorar condições de trabalho dos vendedores. O caso também volta a expor desafios ligados à gestão de pequenos investimentos públicos, sobretudo em sectores associados à segurança alimentar e comércio informal. Sem melhorias efectivas na conservação do pescado, comerciantes continuam expostos a perdas económicas e riscos sanitários. Enquanto isso, o município promete rever soluções técnicas para garantir funcionamento adequado do mercado do peixe.
Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial
Na perspetiva da Voz do Índico, a indignação demonstrada por Luís Giquira reflecte um problema recorrente em várias administrações públicas moçambicanas: a dificuldade em transformar obras físicas em soluções realmente funcionais para a população. Muitas vezes, os projectos conseguem erguer estruturas, mas falham na componente operacional, manutenção e adaptação às necessidades reais dos utilizadores. No caso dos mercados de peixe, a ausência de conservação adequada compromete não apenas a economia dos vendedores, mas também questões de saúde pública e segurança alimentar. O discurso do edil mostra igualmente uma tentativa de aproximar a governação municipal das preocupações práticas dos comerciantes, defendendo soluções simples e de baixo custo em vez de infra-estruturas excessivamente burocráticas. Em cidades economicamente dependentes do comércio informal, pequenos melhoramentos podem gerar impacto directo no rendimento de centenas de famílias. O desafio central continuará a ser garantir fiscalização contínua e responsabilização efectiva na implementação dos projectos municipais.