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Sociedade

Luís Giquira manifesta insatisfação com abandono de obras e exige maior responsabilidade do executivo

O presidente do Conselho Municipal de Nampula, Luís Giquira, manifestou forte descontentamento com o estado de algumas infra-estruturas ligadas ao mercado do peixe, acusando técnicos e membros do executivo municipal de abandonarem obras inacabadas e ignorarem orientações previamente dadas. Durante uma inspecção ao local, o edil criticou a retirada de congeladores instalados no mercado e condenou o facto de vendedores continuarem a comercializar peixe no chão apesar das obras realizadas. Giquira considerou que a situação compromete a dignidade dos comerciantes e a conservação adequada do pescado. O autarca afirmou ainda que pequenas soluções estruturais poderiam resolver grande parte dos problemas existentes. As declarações rapidamente circularam nas redes sociais devido ao tom duro usado contra os responsáveis técnicos.
Publicado às 07:33 • 08/05/2026
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Luís Giquira manifesta insatisfação com abandono de obras e exige maior responsabilidade do executivo
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Segundo Luís Giquira, o projecto previa a instalação definitiva de bancas, iluminação e congeladores no mercado para permitir conservação segura do peixe até ao encerramento das actividades comerciais. Contudo, o edil afirmou que parte do equipamento acabou deslocado para outros locais sem autorização, deixando vendedores novamente em condições precárias. O autarca questionou igualmente a ausência de criatividade e soluções de baixo custo por parte dos engenheiros envolvidos no projecto. Durante a intervenção, defendeu a construção de estruturas simples em madeira e melhorias eléctricas básicas para garantir funcionamento adequado do espaço. O dirigente considera que as obras executadas até agora não correspondem às necessidades reais da população.

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“Não está a ficar bem. Não é isso que eu pedi”, declarou Luís Giquira durante a visita ao mercado. O edil acrescentou que “quando digo uma coisa, é para lutarem para fazer aquilo que estou a dizer, não para fazer uma coisa da vossa cabeça”. Noutra passagem, questionou directamente os técnicos sobre o verdadeiro objectivo do trabalho realizado, perguntando: “Será que estamos a servir o povo mesmo?”. Giquira mostrou ainda irritação com o abandono das estruturas já construídas e afirmou que “comigo assim não funciona”. O autarca acusou alguns responsáveis de falta de compromisso com os interesses da população e exigiu maior responsabilidade na execução dos projectos municipais.

Nos últimos anos, o Conselho Municipal de Nampula tem apostado na requalificação de mercados e infra-estruturas comerciais ligadas à conservação e venda de pescado. O Mercado do Peixe dos Belenenses foi apresentado pelo município como um projecto estratégico para melhorar as condições de comercialização de peixe na cidade e impulsionar a economia local. Em 2024, Luís Giquira afirmou que o empreendimento poderia transformar o sector pesqueiro da região norte do país através da criação de melhores condições sanitárias e comerciais. Contudo, dificuldades de execução, manutenção e gestão operacional continuam a afectar vários mercados municipais em diferentes cidades moçambicanas. Especialistas alertam que obras públicas sem acompanhamento contínuo acabam frequentemente subutilizadas ou degradadas pouco tempo após a inauguração.

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A reacção pública de Luís Giquira poderá aumentar a pressão interna sobre técnicos municipais e responsáveis pela execução de obras comunitárias na cidade de Nampula. Analistas consideram que o episódio demonstra crescente exigência por resultados concretos em projectos financiados para melhorar condições de trabalho dos vendedores. O caso também volta a expor desafios ligados à gestão de pequenos investimentos públicos, sobretudo em sectores associados à segurança alimentar e comércio informal. Sem melhorias efectivas na conservação do pescado, comerciantes continuam expostos a perdas económicas e riscos sanitários. Enquanto isso, o município promete rever soluções técnicas para garantir funcionamento adequado do mercado do peixe.

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Redação Voz do Índico
Análise Exclusiva Voz do Índico

Na perspetiva da Voz do Índico, a indignação demonstrada por Luís Giquira reflecte um problema recorrente em várias administrações públicas moçambicanas: a dificuldade em transformar obras físicas em soluções realmente funcionais para a população. Muitas vezes, os projectos conseguem erguer estruturas, mas falham na componente operacional, manutenção e adaptação às necessidades reais dos utilizadores. No caso dos mercados de peixe, a ausência de conservação adequada compromete não apenas a economia dos vendedores, mas também questões de saúde pública e segurança alimentar. O discurso do edil mostra igualmente uma tentativa de aproximar a governação municipal das preocupações práticas dos comerciantes, defendendo soluções simples e de baixo custo em vez de infra-estruturas excessivamente burocráticas. Em cidades economicamente dependentes do comércio informal, pequenos melhoramentos podem gerar impacto directo no rendimento de centenas de famílias. O desafio central continuará a ser garantir fiscalização contínua e responsabilização efectiva na implementação dos projectos municipais.

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