
“Governo está a governar de joelhos”, dispara Julião Cumbane e critica decisões do Executivo

Cumbane defende que o problema não reside necessariamente nas mudanças governamentais, mas na ausência de fundamentação técnica acessível. Segundo afirmou: “não sabemos qual é o problema que o Governo identificou, quais alternativas analisou e por que razão escolheu determinado caminho. As decisões parecem surgir de forma ad hoc”. Para o analista, esta abordagem fragiliza a credibilidade das políticas públicas e dificulta a avaliação do seu impacto real na sociedade.
Na sua análise, o académico também abordou a relação entre Moçambique e o Fundo Monetário Internacional (FMI), apontando incoerências entre a liquidação de dívidas e a procura de novos financiamentos. Cumbane considera que este ciclo revela fragilidades na estratégia económica nacional, defendendo maior consistência na gestão macroeconómica. O analista também criticou a gestão de recursos públicos e os níveis salariais em algumas instituições do Estado, incluindo o Banco de Moçambique, questionando a compatibilidade entre remunerações elevadas e as dificuldades enfrentadas em setores como saúde, educação e infraestruturas.
Num dos momentos mais incisivos da entrevista, Cumbane afirmou: “estamos a governar mal”, e reforçou a sua crítica ao declarar que o Executivo “está a governar o país de joelho”, expressão usada para descrever aquilo que considera ser ausência de direção estratégica e dependência de decisões não estruturadas.
Como proposta, o académico defende maior aproximação entre o Governo e a academia, sublinhando a necessidade de basear políticas públicas em investigação científica. Segundo Cumbane, o país dispõe de instituições e investigadores capazes de contribuir para decisões mais sólidas, sendo essencial integrar esse conhecimento na formulação de políticas estatais.
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Edição e Verificação Editorial
✨ Contexto Geral O que aconteceu: o analista Julião Cumbane criticou o Governo, afirmando falta de base técnica nas decisões. Por que isso importa: levanta debate sobre qualidade da governação e transparência das políticas públicas. O que pode mudar: pode reforçar pressão por decisões mais baseadas em estudos e investigação científica.