
Governo aprova Conta Geral do Estado de 2025 e alerta para fragilidade económica no I Trimestre de 2026
No balanço económico e social do primeiro trimestre de 2026, o Executivo avaliou 90 indicadores, dos quais 46 apresentaram desempenho positivo, 27 ficaram parcialmente cumpridos e 17 registaram resultados negativos. Apesar de uma ligeira recuperação económica estimada em 0,52%, o Governo reconhece que a economia continua vulnerável a choques internos e externos. Entre os principais factores de pressão estão os eventos climáticos extremos e o reduzido espaço fiscal disponível para intervenção do Estado.
O documento do Governo sublinha ainda que o crescimento económico permanece condicionado por limitações estruturais na base produtiva. O elevado peso das despesas de funcionamento continua a absorver grande parte dos recursos internos, enquanto o endividamento interno elevado restringe o acesso ao crédito e limita a capacidade de investimento do sector privado. O Executivo reconhece que estes factores dificultam a aceleração do desenvolvimento económico.
Apesar do quadro desafiante, o Governo aponta sinais de recuperação futura associados à retoma dos grandes projectos do gás, à transformação interna de recursos minerais e ao relançamento da agricultura após as cheias. Estes sectores são vistos como motores potenciais de crescimento e geração de emprego. Paralelamente, foi aprovado o regulamento da Lei das Cooperativas e criada uma comissão para gerir a transição institucional da Inspecção Geral do Estado e da segurança económica e alimentar.
O Conselho de Ministros também analisou as propostas de salários mínimos para 2026 e foi informado sobre os efeitos da guerra no Médio Oriente e a consequente subida dos preços do petróleo. O impacto destes factores externos preocupa o Executivo, sobretudo no que diz respeito à pressão sobre a inflação e às contas públicas. O Governo reconhece que o contexto internacional continuará a influenciar a estabilidade económica do país.
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Edição e Verificação Editorial
Na perspetiva da Voz do Índico, este relatório confirma um cenário conhecido mas cada vez mais evidente: Moçambique mantém equilíbrio macroeconómico em termos formais, mas com fragilidades estruturais profundas na sua base produtiva. A combinação entre fraca execução de recursos externos, dívida elevada e dependência de sectores estratégicos ainda em consolidação limita o espaço de manobra do Estado.
O dado mais relevante não está apenas nos números, mas na qualidade do crescimento. Uma economia que cresce abaixo do seu potencial, enquanto mantém elevados custos de funcionamento e baixa transformação interna, corre o risco de estabilidade estatística sem impacto social significativo. A recuperação anunciada continua altamente dependente de choques externos favoráveis, especialmente no gás e nas commodities.
O desafio central para os próximos anos será converter expectativas de grandes projectos em efeitos reais na criação de emprego e no aumento da capacidade produtiva interna, sob pena de a economia continuar presa a ciclos de crescimento frágil e vulnerável a choques externos.