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Sociedade

Governo acelera construção de escolas enquanto milhares de alunos ainda estudam ao ar livre

O Governo anunciou novos investimentos na construção e reabilitação de infra-estruturas escolares, com destaque para a província de Cabo Delgado, numa tentativa de responder à pressão crescente sobre o sistema nacional de ensino. A informação foi avançada pela ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, durante uma sessão da Assembleia da República, onde detalhou projectos em curso para expansão da rede escolar. Entre as obras destacadas está a Escola Secundária de Maringanha, em Pemba, actualmente em construção com 30 salas de aula. O Executivo afirma que os investimentos pretendem aproximar as escolas das comunidades e melhorar as condições de aprendizagem em regiões afectadas por deslocamentos populacionais e défice de infra-estruturas.
Publicado em 07/05/2026
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Governo acelera construção de escolas enquanto milhares de alunos ainda estudam ao ar livre
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Segundo a ministra, foram igualmente concluídas as Escolas Básicas de Murrebue, no distrito de Mecúfi, e de Minhowene, em Ancuabe, ambas localizadas na província de Cabo Delgado. O Governo refere ainda ter construído e entregue 14 Centros de Apoio e Aprendizagem destinados ao ensino à distância, numa altura em que o país enfrenta pressão crescente sobre o acesso à educação. No campo da reabilitação, foram intervencionadas escolas em Palma, Mocímboa da Praia e Muidumbe, distritos fortemente afectados pelo terrorismo nos últimos anos. As obras incluem salas de aula destruídas ou degradadas durante o conflito armado e pelas intempéries recentes.

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“Estes investimentos visam aproximar a escola das comunidades e garantir um ensino com mais qualidade”, declarou Samaria Tovela perante os deputados da Assembleia da República. A governante destacou que Cabo Delgado continua a ser uma das prioridades do sector devido ao impacto combinado do terrorismo, deslocamentos populacionais e destruição de infra-estruturas públicas. Nos últimos meses, o Ministério da Educação também anunciou medidas excepcionais para acomodar alunos afectados pelas cheias e pelo crescimento demográfico em algumas províncias. Apesar dos investimentos, o Executivo reconhece que persistem grandes desafios no sistema nacional de ensino.

Os dados oficiais mostram que Moçambique continua a enfrentar um défice crítico de salas de aula. Em Abril deste ano, Samaria Tovela revelou que cerca de 10.500 turmas ainda estudavam ao ar livre em diferentes pontos do país, sobretudo nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Zambézia e Maputo. Muitas escolas foram destruídas pelas cheias registadas desde Janeiro, enquanto outras enfrentam sobrelotação devido ao aumento do número de alunos e deslocados internos. Em várias zonas rurais, crianças continuam a estudar sob árvores ou em estruturas improvisadas sem condições mínimas de aprendizagem.

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Os novos investimentos poderão aliviar parcialmente a pressão sobre o sistema educativo, mas especialistas alertam que o ritmo de construção ainda está longe de responder à dimensão real das necessidades nacionais. Analistas defendem que a expansão da rede escolar deve ser acompanhada pela contratação de professores, fornecimento de materiais e melhoria das condições pedagógicas. O desafio torna-se ainda mais complexo em Cabo Delgado, onde milhares de famílias continuam deslocadas devido à insegurança armada. Enquanto o Governo anuncia novas escolas, milhares de crianças moçambicanas continuam a estudar sem salas adequadas, expondo o contraste entre os avanços anunciados e a realidade vivida em várias comunidades do país.

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Redação Voz do Índico
Análise Exclusiva Voz do Índico

Na perspetiva da Voz do Índico, os investimentos anunciados pelo Governo mostram que existe esforço para expandir a rede escolar, sobretudo em Cabo Delgado, mas também expõem a dimensão profunda da crise estrutural da educação em Moçambique. Construir escolas tornou-se uma necessidade urgente num país onde milhares de alunos continuam a estudar ao ar livre, sem carteiras, sem cobertura adequada e muitas vezes sem materiais básicos. O contraste é forte: enquanto o mundo discute inteligência artificial e digitalização do ensino, milhares de crianças moçambicanas ainda aprendem debaixo de árvores. O problema não está apenas na falta de edifícios. Existe pressão sobre professores, défice de recursos pedagógicos e crescimento acelerado da população estudantil, agravado por deslocamentos causados pelo terrorismo e pelas mudanças climáticas. Cabo Delgado tornou-se símbolo dessa crise, porque além da pobreza histórica enfrenta destruição provocada pelo conflito armado. O risco é que o país continue a expandir números de escolas sem conseguir garantir qualidade efectiva do ensino. O verdadeiro desafio não é apenas construir salas. É impedir que toda uma geração cresça dentro de um sistema permanentemente em emergência.

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