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Saúde

GAIN e CTA unem forças para combater a desnutrição em Moçambique

A desnutrição continua a representar um dos maiores desafios de saúde pública e desenvolvimento em Moçambique, afetando milhões de crianças e limitando o potencial económico do país. Foi neste contexto que a Global Alliance for Improved Nutrition (GAIN) reforçou o apelo ao envolvimento do sector privado na luta contra o problema, durante a Cerimónia de Apresentação do Campeão do Sector Privado para a Nutrição, realizada no Hotel Polana, em Maputo. O evento reuniu representantes do Governo, empresas e parceiros de desenvolvimento para discutir o papel do sector empresarial na promoção de sistemas alimentares mais saudáveis e acessíveis.
Publicado às 11:45 • 19/06/2026
GAIN e CTA unem forças para combater a desnutrição em Moçambique
Resumo da Notícia

Durante a cerimónia, o Director Nacional da GAIN em Moçambique, Gaspar Cuambe, defendeu que a nutrição começa muito antes dos serviços de saúde, estando diretamente ligada à forma como os alimentos são produzidos, transformados, distribuídos e consumidos. “Empresas que produzem alimentos mais nutritivos, fortificam produtos de base e reduzem perdas pós-colheita estão, na prática, a melhorar a nutrição”, afirmou. O responsável destacou ainda que o sector privado pode desempenhar um papel decisivo na transformação do sistema alimentar nacional e na melhoria da qualidade de vida das populações.

Os números apresentados durante o encontro revelam a dimensão do desafio. Segundo dados partilhados pela GAIN e pelo Secretariado Técnico de Segurança Alimentar e Nutricional (SETSAN), a desnutrição crónica afeta 37% das crianças menores de cinco anos em Moçambique. A situação é particularmente preocupante nas províncias de Nampula, Cabo Delgado e Niassa, onde a taxa atinge cerca de uma em cada duas crianças. O evento destacou igualmente que apenas 13% das crianças entre os seis e os 24 meses beneficiam de uma dieta considerada minimamente aceitável, tornando urgente o reforço das intervenções nutricionais, sobretudo no Norte do país.

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Além do impacto social, a desnutrição representa um custo económico significativo para Moçambique. Citando o estudo “O Custo da Fome em África”, Gaspar Cuambe afirmou que o país perde aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) por ano devido aos efeitos da desnutrição, que se refletem na produtividade, no rendimento escolar e na qualificação da força de trabalho. Em contrapartida, os dados apresentados indicam que cada dólar investido em nutrição pode gerar um retorno económico de cerca de 16 dólares, reforçando o argumento de que o combate à desnutrição deve ser encarado também como uma prioridade económica.

A GAIN destacou três áreas concretas onde o sector privado já está a contribuir para a melhoria da nutrição no país: a fortificação de alimentos, incluindo a iodização do sal e o enriquecimento de farinhas e óleos; o apoio a pequenas e médias empresas ligadas às cadeias de produção de aves, ovos e pescado; e a implementação de iniciativas de alimentação escolar e nutrição nos locais de trabalho. Segundo os organizadores, o objetivo da nomeação do Campeão do Sector Privado para a Nutrição é transformar compromissos em resultados mensuráveis, aumentando a disponibilidade de alimentos nutritivos e fortalecendo a cooperação entre empresas, Governo e parceiros de desenvolvimento.

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Redação Voz do Índico

Edição e Verificação Editorial

Equipe Editorial Voz do ÍndicoIA + Revisão Humana
Análise Exclusiva Voz do Índico

a perspetiva da Voz do Índico, o combate à desnutrição em Moçambique exige uma abordagem que vá além das políticas de saúde. A ligação entre nutrição, produtividade e crescimento económico demonstra que o problema deve ser tratado como uma questão estratégica de desenvolvimento nacional. O envolvimento do sector privado pode acelerar soluções inovadoras, melhorar a qualidade dos alimentos disponíveis no mercado e criar cadeias de valor mais resilientes. Contudo, para que os resultados sejam sustentáveis, será necessária uma coordenação permanente entre empresas, Governo e parceiros de desenvolvimento, com metas claras e mecanismos de monitoria que permitam avaliar o impacto real das intervenções junto das comunidades mais vulneráveis.

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