
FEMATRO avisa que aumento “exagerado” do combustível pode desencadear nova onda de crise social

A FEMATRO entende que o Executivo deveria ter aplicado aumentos graduais em vez de permitir uma subida brusca de uma só vez. O presidente da federação, Castigo Nhamane, já vinha alertando nos últimos dias que o sector atravessava uma “crise” devido à falta de combustível, sobretudo gasóleo, usado pela maioria dos transportes de passageiros e mercadorias. Em várias cidades, muitos operadores passaram dias sem conseguir abastecer normalmente, reduzindo circulação de chapas e aumentando pressão sobre os passageiros. O receio agora é que o novo preço acelere imediatamente o aumento das tarifas de transporte em diferentes províncias.
“Terá as suas consequências”, avisou a FEMATRO ao comentar o reajuste dos combustíveis, defendendo que o impacto será sentido não apenas pelos transportadores, mas por toda a economia nacional. Empresários e operadores alertam que os custos de transporte tendem a repercutir-se rapidamente sobre alimentos, materiais de construção, logística comercial e preços básicos nos mercados urbanos. O sector dos transportes afirma ainda que muitos operadores já acumulam prejuízos elevados devido à crise de abastecimento que se arrasta há semanas. “Sem combustível, não é possível transportar pessoas nem mercadorias”, declarou recentemente Castigo Nhamane.
A subida dos combustíveis acontece num contexto internacional extremamente sensível, marcado pelas tensões no Médio Oriente e pelos constrangimentos no estreito de Ormuz, rota estratégica usada no transporte mundial de petróleo. O Governo já admitiu que o aumento era “inevitável” devido à pressão internacional sobre os custos de importação e à escassez de divisas no país. Contudo, analistas alertam que Moçambique entra nesta crise sem reservas estratégicas robustas e excessivamente dependente da importação de combustíveis refinados. Nos últimos dias, a venda informal de combustível disparou em várias cidades devido à escassez nos postos oficiais.
O cenário poderá provocar forte pressão social nas próximas semanas, sobretudo nos centros urbanos onde milhares de famílias dependem diariamente dos chapas para trabalhar, estudar e circular. Economistas alertam que o aumento do gasóleo tende a provocar um efeito dominó imediato sobre praticamente todos os sectores económicos. O maior receio é que a combinação entre subida dos transportes, inflação alimentar e escassez de combustível agrave ainda mais o custo de vida num período já marcado por dificuldades económicas. A expectativa agora concentra-se na resposta do Governo e na possibilidade de medidas de mitigação para evitar tensão social mais ampla.
Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial
Na perspetiva da Voz do Índico, a reacção da FEMATRO mostra que o país entrou numa fase economicamente delicada, onde o combustível deixou de ser apenas uma questão energética e passou a representar risco directo para estabilidade social. O transporte semi-colectivo é o coração da mobilidade urbana em Moçambique e qualquer choque nos custos operacionais espalha-se rapidamente para toda a economia. O problema mais grave é que o aumento acontece num momento em que o país já enfrentava escassez de combustível, filas nos postos e forte pressão sobre o custo de vida. Quando a FEMATRO fala em “consequências”, o alerta vai muito além das tarifas dos chapas. Significa aumento de preços nos mercados, encarecimento da logística e maior pressão sobre famílias urbanas de baixo rendimento. Em vários países africanos, aumentos bruscos dos combustíveis desencadearam protestos, paralisações e instabilidade social. O risco para Moçambique é precisamente esse: uma crise internacional transformar-se rapidamente numa crise económica interna com impacto directo sobre o quotidiano da população.