
Ex-guerrilheiros acusam Ossufo Momade de atrasar reuniões da Renamo

Durante a conferência de imprensa, João Machava acusou Ossufo Momade de manter postura de silêncio e inércia perante a actual crise interna do partido. Os ex-guerrilheiros afirmam que existe receio de que o líder da Renamo esteja a tentar prolongar permanência no cargo através do adiamento das reuniões estatutárias previstas. Segundo Machava, alguns membros temem que eventuais deslocações do presidente para tratamentos médicos ou tradicionais possam ser utilizadas para justificar novos atrasos no calendário interno do partido. O porta-voz criticou igualmente aquilo que considera violação sistemática dos estatutos da Renamo por parte da actual liderança. O grupo defende convocação urgente do Conselho Nacional para posteriormente avançar com realização de um congresso extraordinário ainda este ano.
Os desmobilizados admitem mesmo recorrer às cláusulas estatutárias que permitem substituição da liderança até à realização de um congresso. João Machava declarou que o partido “não pode esperar mais tempo por um presidente ausente, calado, frouxo e conformado”, numa das críticas públicas mais duras dirigidas a Ossufo Momade desde o início da contestação interna. O grupo apelou aos diferentes órgãos da Renamo para acelerarem medidas concretas destinadas à realização do Conselho Nacional e à preparação de alternância na liderança partidária até Setembro. Os ex-guerrilheiros alertaram ainda que, caso a situação permaneça sem resposta, poderão avançar com processos junto da Procuradoria. A crise interna continua a aprofundar divisões dentro da principal força da oposição parlamentar.
A contestação contra Ossufo Momade intensificou-se após os resultados eleitorais de 2024, que levaram a Renamo a perder posição de principal força da oposição parlamentar. Desde então, sectores internos ligados aos antigos guerrilheiros têm acusado a liderança de fragilidade política, falta de dinamismo e incapacidade de reorganizar o partido. Em Abril deste ano, o mesmo grupo anunciou continuação da ocupação de algumas sedes da Renamo até à saída do actual presidente. A crise também tem produzido forte desgaste público da imagem do partido, historicamente uma das principais forças políticas moçambicanas desde o período multipartidário. O ambiente interno permanece marcado por acusações mútuas e crescente polarização entre diferentes alas partidárias.
A evolução da crise poderá influenciar directamente futuro político da Renamo num momento particularmente delicado para oposição moçambicana. Analistas consideram que prolongamento das divisões internas poderá fragilizar ainda mais capacidade de reorganização do partido após as últimas eleições gerais. O eventual avanço para um congresso extraordinário poderá redefinir equilíbrio interno de poder e determinar nova fase na liderança da Renamo. Especialistas alertam que instabilidade prolongada no principal partido da oposição poderá igualmente afectar dinâmica política nacional e equilíbrio parlamentar em Moçambique. A disputa interna continua a ser acompanhada com forte atenção pelos diferentes sectores políticos do país.
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Na perspetiva da Voz do Índico, a actual crise interna da Renamo revela um dos momentos mais delicados da história recente do partido desde a morte de Afonso Dhlakama. As acusações públicas entre antigos guerrilheiros e a liderança de Ossufo Momade mostram uma estrutura profundamente dividida num período em que a oposição enfrenta dificuldades de reorganização política após as eleições de 2024. O risco para a Renamo não é apenas eleitoral, mas também institucional e simbólico, sobretudo pela erosão da autoridade interna da liderança. A forma como o partido resolver esta disputa poderá influenciar significativamente o futuro do equilíbrio político moçambicano nos próximos anos.