
Eni avalia terceira plataforma de gás natural na Bacia do Rovuma

Segundo informações divulgadas pela empresa, as enormes reservas de gás existentes na Área 4 do Rovuma permitem não apenas sustentar os projectos actualmente em curso, mas também abrir espaço para novos investimentos de exploração e exportação de gás natural liquefeito. A eventual terceira plataforma utilizaria igualmente tecnologia FLNG, modelo já aplicado no Coral Sul, considerado o primeiro projecto offshore de gás natural liquefeito em África.
O Coral Sul FLNG entrou em operação em 2022 e tornou-se uma das principais referências internacionais da Eni no sector do gás offshore. Em Abril de 2025, a empresa anunciou ter alcançado o centésimo carregamento de gás natural liquefeito produzido em águas ultraprofundas de Cabo Delgado, reforçando o peso estratégico de Moçambique no mercado energético global.
Ao mesmo tempo, o projecto Coral Norte continua em fase acelerada de implementação. A plataforma recebeu decisão final de investimento em Outubro de 2025 e já ultrapassou metade da execução prevista. Segundo a Eni, o arranque da produção permanece apontado para 2028, permitindo praticamente duplicar a capacidade de produção de LNG de Moçambique.
A expansão offshore da Eni ocorre num contexto de forte competição global pelo mercado de gás natural liquefeito. A procura internacional continua elevada, sobretudo na Europa e Ásia, impulsionada pela reorganização energética mundial após a guerra na Ucrânia e pelas tensões no Médio Oriente. Apesar disso, a empresa garante que o actual contexto geopolítico ainda não provocou impactos operacionais relevantes nos projectos em Moçambique.
Especialistas consideram que a eventual terceira plataforma poderá consolidar a Bacia do Rovuma como um dos principais pólos emergentes de LNG no mundo. Contudo, continuam igualmente os alertas sobre a necessidade de garantir maior integração entre os megaprojectos extractivos e a economia nacional, de forma a evitar que os benefícios do gás permaneçam concentrados apenas no sector exportador.
Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial
Na visão da Voz do Índico, a possibilidade de uma terceira plataforma FLNG mostra que Moçambique continua a ganhar relevância estratégica no mapa energético mundial. O Rovuma deixou de ser apenas uma promessa geológica e começa a consolidar-se como centro global de produção de gás natural liquefeito. No entanto, o verdadeiro desafio nacional permanece o mesmo: transformar riqueza energética em desenvolvimento económico interno sustentável. O histórico africano mostra que megaprojectos extractivos podem gerar crescimento macroeconómico sem necessariamente reduzir pobreza ou fortalecer indústria local. A expansão da Eni aumenta expectativas sobre receitas, emprego e infra-estruturas, mas também eleva pressão sobre o Estado moçambicano para garantir transparência, conteúdo local efectivo e integração real da economia nacional nas cadeias de valor do gás.