
Domingos Rosário: “Em Moçambique não há académicos, há muitos charlatães”

Durante a sua intervenção, Domingos Rosário fez questão de distinguir a sua profissão da designação de académico. “Eu não sou académico, porque em Moçambique não há academia. Academia universitária implica investigar e produzir. Infelizmente, aqui ninguém faz isso”, afirmou. O docente acrescentou que é “professor associado de carreira”, considerando que essa condição é diferente da de muitos profissionais que, segundo ele, se apresentam como professores sem o serem de carreira.
Num dos momentos mais controversos da sua intervenção, Domingos Rosário afirmou que existem “muitos charlatães” que se intitulam académicos. “Há muitos charlatães aqui em Moçambique que se chamam de académicos, que não são”, declarou, defendendo que a verdadeira academia exige investigação científica contínua, produção de conhecimento e publicação de trabalhos, elementos que, segundo a sua análise, ainda são insuficientes no contexto universitário moçambicano.
As declarações surgiram no âmbito de um debate sobre a reforma da legislação eleitoral, mas rapidamente passaram a dominar as reações devido às críticas dirigidas ao meio académico. O posicionamento do professor provocou diferentes interpretações, com alguns participantes a defenderem a necessidade de fortalecer a investigação científica no país e outros a considerarem excessiva a generalização feita pelo docente.
O debate reacendeu a discussão sobre o estado da investigação científica em Moçambique, a qualidade do ensino superior e os critérios que definem a carreira académica. Até ao momento, não há registo de uma resposta institucional às declarações de Domingos Rosário.
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Edição e Verificação Editorial
Na perspetiva da Voz do Índico, as declarações de Domingos Rosário levantam um debate importante sobre a qualidade da investigação científica em Moçambique. Embora a existência de universidades e centros de investigação seja uma realidade, a produção científica continua a enfrentar limitações relacionadas com financiamento, infraestruturas e incentivos à investigação. A discussão pode servir para estimular uma reflexão mais profunda sobre o fortalecimento da ciência e da carreira académica no país, sem desvalorizar o trabalho desenvolvido por investigadores e docentes que contribuem regularmente para a produção de conhecimento.