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Segurança

Civis denunciam abusos das FDS e violência dos “shebabs” em Cabo Delgado

Habitantes da província de Cabo Delgado denunciam estar encurralados entre os ataques dos grupos armados conhecidos localmente como “shebabs” e alegados abusos cometidos pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) moçambicanas. As denúncias constam de uma reportagem divulgada pela Rádio France Internationale (RFI) sobre a situação de insegurança no norte de Moçambique.
Publicado às 19:12 • 20/05/2026
Civis denunciam abusos das FDS e violência dos “shebabs” em Cabo Delgado
Resumo da Notícia

Segundo relatos recolhidos pela RFI, pescadores acusam militares moçambicanos de dispararem contra civis no mar ao largo de Mocímboa da Praia. O pescador Assamo Cheila afirmou que, depois de os soldados verificarem que “não havia armas nos barcos”, começaram a abrir fogo contra os pescadores, perseguindo-os “até matá-los a todos”, sobrevivendo apenas um homem.

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Além das denúncias no mar, moradores de Mocímboa da Praia relatam episódios de violência durante operações de controlo nas zonas urbanas. Uma residente identificada como Fariza contou à reportagem que testemunhou militares a espancarem violentamente um pescador que regressava da praia sem documentos de identificação, acrescentando que nem sabe “se esse homem saiu vivo ou morto”.

A situação em Cabo Delgado continua marcada pela desconfiança entre parte da população local e as forças governamentais. O analista Aly Caetano, do Centro para a Democracia e Direitos Humanos, considera que existem problemas estruturais ligados à relação entre o Estado e as comunidades do norte do país, afirmando que muitas forças destacadas para a região “não falam a língua local”, possuem “preconceitos étnicos” e alguns militares chegam mesmo a dizer que “esta guerra não é a minha”.

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As autoridades moçambicanas continuam a rejeitar acusações de abusos sistemáticos por parte das FDS. Contudo, organizações internacionais como a Amnistia Internacional já haviam denunciado anteriormente alegadas violações de direitos humanos tanto por grupos insurgentes como por forças estatais destacadas para combater o terrorismo em Cabo Delgado.

O conflito armado no norte de Moçambique começou em 2017 e já provocou milhares de mortos, destruição de infra-estruturas e deslocamento massivo de populações em vários distritos da província.

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Rádio France Internationale (RFI)
Análise Exclusiva Voz do Índico

Na visão da Voz do Índico, as denúncias revelam uma das dimensões mais delicadas da guerra em Cabo Delgado: a erosão da confiança entre população civil e forças estatais. Em conflitos assimétricos, onde insurgentes operam misturados entre civis, abusos reais ou percepcionados podem aumentar ressentimentos locais e dificultar operações de estabilização. O problema torna-se ainda mais sensível numa província marcada historicamente por pobreza, exclusão e fraca presença institucional do Estado. Sem maior aproximação comunitária, inteligência local e protecção efectiva dos civis, o risco de aprofundamento da instabilidade continuará elevado mesmo com avanços militares no terreno.

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