
Chuvas e cheias mataram 311 pessoas e afectaram mais de um milhão em Moçambique

Os dados do INGD mostram que 211.678 casas ficaram inundadas, enquanto 15.266 habitações foram totalmente destruídas e outras 30.247 sofreram danos parciais. As cheias registadas em Janeiro, consideradas das mais violentas dos últimos anos, provocaram sozinhas 43 mortos e afectaram mais de 715 mil pessoas. Já o ciclone Gezani, que atingiu a província de Inhambane em Fevereiro, causou quatro mortos e afectou mais de nove mil pessoas. A destruição também atingiu infra-estruturas sociais e económicas em diferentes regiões do país.
Segundo o INGD, pelo menos 304 unidades de saúde, 790 escolas e 98 locais de culto foram afectados durante os sete meses da época chuvosa. As perdas agrícolas também foram significativas, com mais de 320 mil hectares destruídos, afectando mais de 373 mil agricultores. O país registou ainda a morte de mais de 532 mil animais, entre bovinos, caprinos e aves. Estradas, pontes e aquedutos também sofreram danos severos em diferentes províncias.
Desde Outubro, o INGD activou 198 centros de acomodação temporária para apoiar famílias deslocadas pelas cheias e inundações. No pico da crise, os centros acolheram mais de 139 mil pessoas, embora actualmente apenas 24 permaneçam activos. As autoridades também registaram mais de sete mil operações de resgate durante o período crítico das cheias, sobretudo em Janeiro. O governo e parceiros humanitários continuam a acompanhar comunidades vulneráveis afectadas pela destruição causada pelas chuvas.
Especialistas alertam que os impactos das alterações climáticas continuam a aumentar frequência e intensidade dos eventos extremos em Moçambique. O país permanece entre os mais vulneráveis de África a ciclones, cheias e secas devido à localização geográfica e fragilidade infra-estrutural. Analistas defendem maior investimento em prevenção, sistemas de alerta e infra-estruturas resilientes para reduzir perdas humanas e económicas. A época chuvosa 2025/2026 voltou a demonstrar a dimensão dos desafios climáticos enfrentados por Moçambique.
Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial
Na perspetiva da Voz do Índico, os números divulgados pelo INGD mostram que Moçambique continua extremamente vulnerável aos impactos climáticos, sobretudo devido à fragilidade das infra-estruturas e elevada exposição das comunidades rurais e periféricas. A destruição de habitações, escolas, unidades de saúde e áreas agrícolas demonstra que os desastres naturais já não representam apenas emergências sazonais, mas um desafio estrutural para o desenvolvimento nacional. O aumento da frequência de fenómenos extremos deverá pressionar ainda mais os sistemas de resposta humanitária e recuperação económica do país nos próximos anos.