
Chapo procura experiência do Uganda para reforçar combate ao terrorismo em Cabo Delgado

Durante as declarações aos jornalistas, Daniel Chapo afirmou que Uganda “vale a pena contar com ele ao nível do continente africano” devido à sua experiência no combate ao terrorismo. O Presidente moçambicano destacou igualmente que Museveni conhece profundamente Cabo Delgado, sobretudo Montepuez, onde existe um antigo centro de treino militar. Além da componente de segurança, Chapo sublinhou o interesse de Moçambique em aprofundar relações económicas e diplomáticas com Uganda. O chefe de Estado defendeu maior cooperação bilateral para promover desenvolvimento económico e melhores condições de vida para os moçambicanos. As declarações surgem numa altura em que Cabo Delgado continua sob pressão de grupos extremistas apesar das operações militares em curso com apoio internacional.
Cabo Delgado, província rica em gás natural, enfrenta ataques extremistas desde Outubro de 2017, situação que provocou milhares de mortos, deslocados e forte impacto económico no Norte de Moçambique. O Governo moçambicano tem contado com apoio militar do Ruanda, Tanzânia e forças regionais da SADC no combate aos grupos armados. Daniel Chapo já afirmou anteriormente que o terrorismo continua a representar um dos maiores desafios nacionais, apesar dos avanços registados pelas Forças de Defesa e Segurança no terreno. Nos últimos meses, o Executivo tem procurado consolidar estabilidade militar para garantir retoma dos grandes projectos de gás natural na Bacia do Rovuma. Analistas observam que o reforço das alianças africanas de segurança passou a ser prioridade estratégica para Maputo.
A presença de Daniel Chapo na tomada de posse de Museveni acontece também num contexto de crescente debate internacional sobre estabilidade política no Uganda. Yoweri Museveni mantém-se no poder desde 1986 e acaba de iniciar o seu sétimo mandato presidencial após eleições contestadas pela oposição ugandesa. O principal adversário político de Museveni, Bobi Wine, classificou o processo eleitoral como fraudulento após os resultados oficiais atribuírem ao actual Presidente mais de 71% dos votos. Apesar das críticas internacionais relacionadas com governação e direitos políticos no Uganda, Museveni continua a ser considerado uma das figuras mais experientes em matéria de segurança e operações militares no continente africano. O Uganda mantém participação activa em operações regionais contra grupos extremistas em diferentes países africanos.
O reforço da cooperação entre Moçambique e Uganda poderá ter impacto relevante na estratégia regional africana de combate ao terrorismo, sobretudo num momento em que Cabo Delgado continua vulnerável a ataques esporádicos. Especialistas em segurança consideram que partilha de experiência operacional, inteligência militar e formação táctica poderá fortalecer as capacidades das forças moçambicanas. Ao mesmo tempo, a aproximação política entre Maputo e Kampala demonstra crescente tendência africana de cooperação militar intra-continental sem dependência exclusiva de parceiros externos. O sucesso dessa estratégia dependerá, contudo, da capacidade de estabilização permanente das zonas afectadas e da consolidação do desenvolvimento económico em Cabo Delgado. O terrorismo continua a representar um dos principais riscos estratégicos para segurança e investimento em Moçambique.
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Na perspetiva da Voz do Índico, a aproximação entre Moçambique e Uganda revela que o combate ao terrorismo em Cabo Delgado entrou numa fase mais estratégica e regionalizada. A valorização da experiência ugandesa mostra que Maputo procura diversificar alianças africanas de segurança numa altura em que a estabilidade de Cabo Delgado continua essencial para os projectos energéticos ligados ao gás natural. A referência de Daniel Chapo à ligação histórica de Museveni com Montepuez também procura reforçar simbolicamente os laços políticos entre os dois países. O principal desafio continuará a ser transformar cooperação militar em estabilidade duradoura capaz de garantir segurança, investimento e retorno das populações deslocadas.