Boatos matam: linchamentos por “atrofia genital” já fizeram dezenas de mortos no país

O balanço foi apresentado durante a abertura do ano lectivo na Escola de Sargentos Policiais de Nhamatanda, na província de Sofala. Segundo o ministro, a disseminação de rumores tem levado populações a agir com base em medo e desinformação, resultando em actos de justiça pelas próprias mãos. As vítimas são frequentemente acusadas sem qualquer prova, alimentando ciclos de violência. A rápida propagação das mensagens, sobretudo através de redes informais, dificulta o controlo. O fenómeno expõe fragilidades na literacia informacional e na resposta institucional.
Na ocasião, Paulo Chachine condenou de forma contundente a situação e apelou à acção firme das autoridades. “Devemos agir com firmeza para abortar qualquer tentativa de difusão de informações que promovam a desordem pública”, afirmou o governante. O ministro destacou que a propagação de notícias falsas está a colocar em risco vidas humanas e a estabilidade social. Apelou ainda à colaboração da população na denúncia de boatos. As forças policiais foram desafiadas a intensificar a vigilância e intervenção.
Casos de violência motivados por superstição e desinformação não são inéditos em Moçambique, tendo ocorrido em diferentes momentos e regiões. Em países da SADC, episódios semelhantes também têm sido registados, frequentemente associados a crenças populares e ausência de informação científica. A combinação entre medo colectivo e falta de esclarecimento cria um ambiente propício a reacções extremas. Especialistas alertam para a necessidade de campanhas educativas consistentes. O fenómeno revela desafios estruturais na comunicação pública.
As consequências são devastadoras, com perda de vidas, ferimentos graves e ruptura do tecido social em várias comunidades. A médio prazo, o país enfrenta o desafio de reforçar mecanismos de prevenção e resposta à desinformação. Autoridades deverão intensificar acções de sensibilização e responsabilização criminal dos envolvidos em actos de violência. O restabelecimento da confiança social será um processo gradual. O combate aos boatos torna-se agora uma prioridade nacional.
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