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Sociedade

ANE admite falta de dinheiro enquanto estrada do KM15 afunda transportadores e motoristas na Matola

A degradação da Avenida Josina Machel, no troço que liga o KM15 à Matola-Gare, voltou a expor a fragilidade das infra-estruturas rodoviárias na província de Maputo, depois de a Administração Nacional de Estradas (ANE) reconhecer dificuldades financeiras para concluir a reabilitação da via. Há cerca de seis anos que a estrada apresenta buracos profundos, poças de água e níveis críticos de deterioração, afectando diariamente milhares de automobilistas, transportadores semi-colectivos e residentes da Matola. O problema agravou-se com as chuvas e transformou um dos corredores mais movimentados do município numa rota marcada por congestionamentos permanentes, avarias mecânicas e riscos de acidentes rodoviários. Motoristas afirmam que os custos de manutenção das viaturas dispararam devido ao estado da estrada, enquanto outros dizem evitar completamente a circulação naquela zona. A situação ocorre numa das áreas urbanas com maior crescimento populacional e circulação comercial da Grande Maputo.
Publicado em 06/05/2026
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ANE admite falta de dinheiro enquanto estrada do KM15 afunda transportadores e motoristas na Matola
Análise Detalhada

Relatos recolhidos junto de utilizadores da via descrevem um cenário de circulação praticamente insustentável, sobretudo para operadores de transporte semi-colectivo e condutores particulares. Luís Cava-Cava, motorista entrevistado sobre o estado da estrada, afirmou que os danos provocados pelos buracos afectam pneus, suspensão e estabilidade das viaturas, agravando despesas constantes de reparação. Outros automobilistas denunciam que a estrada obriga frequentemente os condutores a invadir a faixa contrária para evitar crateras, aumentando o risco de colisões frontais. O problema intensifica-se durante a época chuvosa, quando as covas ficam cobertas de água e dificultam a percepção da profundidade dos buracos. A via tornou-se igualmente um foco de congestionamentos severos, com automobilistas a relatarem tempos de deslocação muito superiores ao normal. A ANE já tinha prometido concluir obras de manutenção até Novembro de 2025, mas o projecto sofreu sucessivos atrasos devido à falta de verbas e dificuldades na aquisição de materiais.

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“Com muita frequência tenho usado essa estrada, é muito complicado passar”, declarou Luís Cava-Cava, descrevendo os prejuízos causados pela degradação da via no município da Matola. Outro condutor, Edson Mazive, afirmou que “sempre que tenho oportunidade de usar uma via alternativa faço questão mesmo de usar”, relatando episódios de quase colisão devido à necessidade de circular na faixa contrária para evitar crateras profundas. Já Aderson Nhabete, operador de transporte semi-colectivo, explicou que “o dinheiro que nós ganhamos vai para a manutenção dos carros”, denunciando o impacto financeiro da situação sobre os transportadores. Em declarações anteriores à imprensa, representantes da ANE reconheceram limitações financeiras para avançar com a reabilitação integral da estrada. “Está a faltar dinheiro”, admitiu um representante da instituição, acrescentando que existem dificuldades de desembolso e incapacidade financeira do empreiteiro responsável pelas obras.

A estrada da Avenida Josina Machel é uma das principais artérias de ligação entre zonas densamente povoadas da Matola, desempenhando papel estratégico no transporte urbano e circulação económica da Grande Maputo. A última grande intervenção no troço ocorreu há cerca de seis anos, mas a ANE reconhece que problemas de drenagem, presença elevada de lençóis freáticos e ausência de valetas aceleraram a degradação prematura do pavimento. Em Março de 2025, a instituição anunciou uma empreitada avaliada em cerca de 64 milhões de meticais para recuperação da via, prometendo conclusão até Novembro do mesmo ano. Contudo, o projecto foi interrompido diversas vezes, alegadamente devido a protestos, escassez de materiais importados e falta de divisas no mercado nacional. Organizações ligadas aos transportadores já realizaram paralisações e manifestações para pressionar as autoridades a resolverem o problema.

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A continuidade da degradação daquela estrada poderá provocar impactos económicos e sociais ainda mais profundos na Matola, sobretudo devido à dependência da população em relação ao transporte rodoviário urbano. Especialistas alertam que vias degradadas aumentam custos operacionais, aceleram desgaste de viaturas, reduzem produtividade económica e elevam o risco de acidentes rodoviários graves. O caso também evidencia as dificuldades financeiras enfrentadas pelo sector de infra-estruturas em Moçambique, num período marcado por elevada pressão orçamental e necessidade crescente de investimentos públicos. A falta de conclusão das obras poderá aumentar a tensão entre automobilistas, transportadores e autoridades locais, principalmente se a situação piorar durante a próxima época chuvosa. Espera-se agora que a ANE e o Fundo de Estradas encontrem mecanismos de financiamento para evitar o colapso total da transitabilidade naquela importante ligação rodoviária da província de Maputo.

Categoria: Sociedade

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Redação Voz do Índico
Análise Exclusiva Voz do Índico

Na perspetiva da Voz do Índico, o caso da estrada entre o KM15 e a Matola-Gare revela um problema estrutural muito mais profundo do que simples buracos numa via urbana. A situação demonstra as fragilidades acumuladas no financiamento da manutenção rodoviária em Moçambique, especialmente em zonas metropolitanas onde o crescimento populacional e o aumento do parque automóvel superaram largamente a capacidade de resposta das infra-estruturas públicas. A Matola tornou-se um dos principais centros urbanos e industriais do país, mas continua dependente de corredores rodoviários vulneráveis, muitos deles sem sistemas adequados de drenagem e manutenção contínua. Quando a ANE admite publicamente falta de dinheiro para concluir obras críticas, isso expõe não apenas limitações técnicas, mas também pressão severa sobre o orçamento do Estado e sobre o Fundo de Estradas. Na região da SADC, cidades que negligenciaram manutenção preventiva acabaram por enfrentar custos de reconstrução muito superiores anos depois. O impacto económico também é silencioso: aumento do custo do transporte, desgaste acelerado de viaturas, redução da produtividade urbana e agravamento do custo de vida para milhares de famílias que dependem diariamente daquela rota.

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