
AMETRAMO quebra silêncio e diz que “atrofiamento genital” é boato

Durante a intervenção, representantes da AMETRAMO reconheceram que existem fenómenos culturais e crenças tradicionais em várias partes de Moçambique, mas garantiram que o actual caso não possui qualquer confirmação prática. Segundo os médicos tradicionais, nunca houve provas de que alguém tenha perdido órgãos genitais após simples contacto físico. A associação afirma que nem a medicina tradicional nem a medicina convencional encontraram evidências científicas ou clínicas sobre os alegados casos. O principal problema, segundo defendem, é a violência desencadeada pelos rumores. O fenómeno espalhou-se rapidamente pelas redes sociais.
“Isto virou um grande tabu. É um terrorismo que está a haver em todo o canto do país”, declarou um representante da AMETRAMO. O dirigente acrescentou que “não há evidências, nunca houve evidências” sobre desaparecimento ou redução de órgãos genitais provocados por magia ou toque físico. Segundo explicou, a maioria das vítimas que chegam às esquadras ou hospitais são pessoas espancadas após acusações populares. A associação sublinha ainda que os supostos afectados raramente procuram médicos tradicionais ou hospitais antes das agressões. O ambiente é descrito como de histeria colectiva. A preocupação centra-se agora na prevenção de novas mortes.
No debate, os representantes da medicina tradicional rejeitaram também a ideia de que curandeiros estejam ligados à prática de “magia negra” associada ao fenómeno. Segundo a AMETRAMO, existe uma diferença entre medicina tradicional e feitiçaria, sendo incorreto responsabilizar automaticamente os médicos tradicionais pelos rumores que circulam. Os dirigentes defenderam ainda maior coordenação entre líderes comunitários, religiosos, Ministério da Justiça, Ministério do Interior e sector da saúde para travar a propagação do pânico. A associação considera urgente a realização de palestras públicas de sensibilização. O fenómeno já ganhou dimensão nacional.
Nos últimos dias, autoridades policiais, profissionais de saúde e dirigentes políticos têm emitido alertas contra actos de violência ligados aos rumores sobre “atrofiamento genital”. Em algumas províncias, cidadãos acusados de provocar o fenómeno foram espancados ou perseguidos por populares. Especialistas associam o caso ao chamado “síndrome de Koro”, um distúrbio psicológico ligado ao medo intenso de desaparecimento dos órgãos genitais, frequentemente agravado por histeria colectiva e factores culturais. Situações semelhantes já ocorreram em países africanos e asiáticos. O fenómeno continua a preocupar as autoridades.
As consequências imediatas incluem aumento do medo social, crescimento da violência popular e pressão para intervenção urgente das autoridades. A médio prazo, especialistas defendem campanhas massivas de educação pública para combater desinformação e impedir novos linchamentos. Analistas alertam que rumores espalhados nas redes sociais podem rapidamente transformar-se em crises de segurança pública. O desafio agora é restaurar a calma nas comunidades. O país continua em estado de alerta social.
Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial
Na perspetiva da Voz do Índico, a reacção da AMETRAMO representa um momento importante no combate ao pânico colectivo que se espalhou pelo país nas últimas semanas. Quando médicos tradicionais e medicina convencional convergem publicamente para afirmar que não existem evidências do alegado fenómeno, tenta-se travar uma onda de violência que já provocou mortes e perseguições. O caso mostra como superstição, medo e redes sociais podem combinar-se de forma explosiva em contextos de fragilidade social. Em diferentes países africanos e asiáticos, episódios semelhantes ligados ao chamado “síndrome de Koro” já provocaram histeria colectiva e agressões públicas. O elemento mais perigoso neste momento é a rapidez com que rumores digitais se transformam em violência real. A longo prazo, Moçambique poderá precisar de investir muito mais em literacia social, educação pública e combate à desinformação para evitar novas crises deste tipo.