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Sociedade

AMETRAMO quebra silêncio e diz que “atrofiamento genital” é boato

A Associação dos Médicos Tradicionais de Moçambique (AMETRAMO) reagiu finalmente ao fenómeno de alegado “atrofiamento de órgãos genitais”, afirmando que não existem evidências médicas ou tradicionais que comprovem os casos que têm provocado pânico e mortes em diferentes regiões do país. Segundo declarações feitas durante um debate público, o fenómeno transformou-se num “terrorismo social” alimentado por boatos, redes sociais e superstição. Nas últimas duas semanas, mais de dez pessoas terão perdido a vida em episódios de espancamentos e linchamentos associados ao caso. A situação preocupa autoridades, comunidades e líderes tradicionais. O país vive um clima crescente de medo.
Publicado em 06/05/2026
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AMETRAMO quebra silêncio e diz que “atrofiamento genital” é boato
Análise Detalhada

Durante a intervenção, representantes da AMETRAMO reconheceram que existem fenómenos culturais e crenças tradicionais em várias partes de Moçambique, mas garantiram que o actual caso não possui qualquer confirmação prática. Segundo os médicos tradicionais, nunca houve provas de que alguém tenha perdido órgãos genitais após simples contacto físico. A associação afirma que nem a medicina tradicional nem a medicina convencional encontraram evidências científicas ou clínicas sobre os alegados casos. O principal problema, segundo defendem, é a violência desencadeada pelos rumores. O fenómeno espalhou-se rapidamente pelas redes sociais.

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“Isto virou um grande tabu. É um terrorismo que está a haver em todo o canto do país”, declarou um representante da AMETRAMO. O dirigente acrescentou que “não há evidências, nunca houve evidências” sobre desaparecimento ou redução de órgãos genitais provocados por magia ou toque físico. Segundo explicou, a maioria das vítimas que chegam às esquadras ou hospitais são pessoas espancadas após acusações populares. A associação sublinha ainda que os supostos afectados raramente procuram médicos tradicionais ou hospitais antes das agressões. O ambiente é descrito como de histeria colectiva. A preocupação centra-se agora na prevenção de novas mortes.

No debate, os representantes da medicina tradicional rejeitaram também a ideia de que curandeiros estejam ligados à prática de “magia negra” associada ao fenómeno. Segundo a AMETRAMO, existe uma diferença entre medicina tradicional e feitiçaria, sendo incorreto responsabilizar automaticamente os médicos tradicionais pelos rumores que circulam. Os dirigentes defenderam ainda maior coordenação entre líderes comunitários, religiosos, Ministério da Justiça, Ministério do Interior e sector da saúde para travar a propagação do pânico. A associação considera urgente a realização de palestras públicas de sensibilização. O fenómeno já ganhou dimensão nacional.

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Nos últimos dias, autoridades policiais, profissionais de saúde e dirigentes políticos têm emitido alertas contra actos de violência ligados aos rumores sobre “atrofiamento genital”. Em algumas províncias, cidadãos acusados de provocar o fenómeno foram espancados ou perseguidos por populares. Especialistas associam o caso ao chamado “síndrome de Koro”, um distúrbio psicológico ligado ao medo intenso de desaparecimento dos órgãos genitais, frequentemente agravado por histeria colectiva e factores culturais. Situações semelhantes já ocorreram em países africanos e asiáticos. O fenómeno continua a preocupar as autoridades.

As consequências imediatas incluem aumento do medo social, crescimento da violência popular e pressão para intervenção urgente das autoridades. A médio prazo, especialistas defendem campanhas massivas de educação pública para combater desinformação e impedir novos linchamentos. Analistas alertam que rumores espalhados nas redes sociais podem rapidamente transformar-se em crises de segurança pública. O desafio agora é restaurar a calma nas comunidades. O país continua em estado de alerta social.

Para detalhes minuciosos, consulte a fonte oficial

Fonte: Redação Voz do Índico
Análise Exclusiva Voz do Índico

Na perspetiva da Voz do Índico, a reacção da AMETRAMO representa um momento importante no combate ao pânico colectivo que se espalhou pelo país nas últimas semanas. Quando médicos tradicionais e medicina convencional convergem publicamente para afirmar que não existem evidências do alegado fenómeno, tenta-se travar uma onda de violência que já provocou mortes e perseguições. O caso mostra como superstição, medo e redes sociais podem combinar-se de forma explosiva em contextos de fragilidade social. Em diferentes países africanos e asiáticos, episódios semelhantes ligados ao chamado “síndrome de Koro” já provocaram histeria colectiva e agressões públicas. O elemento mais perigoso neste momento é a rapidez com que rumores digitais se transformam em violência real. A longo prazo, Moçambique poderá precisar de investir muito mais em literacia social, educação pública e combate à desinformação para evitar novas crises deste tipo.

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