
Activista Gamito dos Santos questiona distribuição desigual de autocarros no país

Segundo o activista, a diferença “arrepia o olhar” e levanta dúvidas sobre o discurso de unidade nacional defendido pelo Presidente da República, Daniel Chapo. “100 contra 190. Quinze municípios levam 100, enquanto três municípios recebem 190 de forma folgada”, escreveu Gamito. O activista questionou ainda o facto de parte das novas viaturas serem destinadas ao transporte de estudantes, defendendo igualmente maior atenção aos camponeses e zonas rurais.
Gamito dos Santos aproveitou igualmente para criticar os custos associados às viagens e despesas do Estado, questionando se o Governo estaria disposto a reduzir gastos considerados luxuosos. “Nós também somos moçambicanos, merecemos tratamento com dignidade”, afirmou. O activista tornou-se conhecido em Moçambique pelas suas posições críticas sobre governação, direitos humanos e questões sociais, sobretudo na província de Nampula, onde lidera várias iniciativas ligadas à cidadania e justiça social.
A publicação está a gerar forte debate nas redes sociais, numa altura em que persistem reclamações sobre escassez de transporte público, subida dos combustíveis e dificuldades de mobilidade em diferentes cidades do país. O debate surge também poucos dias após o Governo anunciar medidas de compensação para operadores de transporte semicolectivo, numa tentativa de reduzir o impacto da crise dos combustíveis sobre os passageiros.
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Na visão da Voz do Índico, o debate levantado por Gamito dos Santos reflecte um sentimento crescente de desigualdade regional em Moçambique, sobretudo entre Maputo e outras províncias. A questão do transporte público tornou-se um dos temas sociais mais sensíveis do momento devido à pressão causada pela subida dos combustíveis e pela escassez de viaturas. Embora o Governo procure responder à crise com novos autocarros e subsídios, a percepção pública sobre critérios de distribuição continua a gerar forte contestação social e política.