
Inflação agrava custo de vida em Moçambique com subida superior a 4%

Segundo o comunicado do INE, os sectores que mais contribuíram para o aumento da inflação foram alimentação e bebidas não alcoólicas, que registaram subida de cerca de 10,24%, seguidos pelo vestuário e calçado, com variação de 5,23%. O instituto confirmou igualmente que todos os centros urbanos monitorizados registaram aumento do nível geral de preços durante o período analisado. A cidade de Tete apresentou a inflação mais elevada do país, com 8,92%, seguida de Xai-Xai, com 7,48%, Chimoio, com 6,48%, e Quelimane, com 4,40%. Já a cidade de Maputo registou o menor aumento relativo, situado em 2,35%. Os dados demonstram forte pressão inflacionária sobretudo fora da capital do país.
Numa análise mensal, entre Março e Abril de 2026, Moçambique registou aumento de preços de 0,63%, impulsionado principalmente pelos produtos alimentares. Entre os produtos que mais encareceram destacam-se tomate, com subida de 13,8%, couve, com 29,4%, cebola, com 21,3%, peixe fresco, com 5,9%, alface, com 23,0%, e repolho, com 22,7%. O INE refere ainda aumento de 3% no preço das motorizadas. Segundo a instituição, estes produtos contribuíram de forma significativa para aceleração da inflação mensal observada em Abril. O encarecimento dos alimentos continua a afectar particularmente famílias urbanas de baixo rendimento e pequenos comerciantes.
Apesar da subida generalizada dos preços, alguns produtos registaram redução de custo durante o mesmo período analisado pelo Instituto Nacional de Estatística. Entre os principais destaques estão milho em grão, cujo preço caiu 11,6%, feijão manteiga, com redução de 4,8%, cimento, com queda de 1,4%, peixe seco, com 1,2%, camarão fresco, com redução de 9,7%, além de pepino e coco. Contudo, especialistas observam que redução pontual de alguns produtos não foi suficiente para compensar forte pressão inflacionária registada nos bens essenciais de consumo diário. O comportamento dos preços continua fortemente influenciado pelos custos de transporte, combustíveis e cadeia de abastecimento alimentar no país.
Economistas alertam que a persistência da inflação poderá aumentar dificuldades sociais e reduzir ainda mais capacidade de consumo das famílias moçambicanas nos próximos meses. O aumento dos preços dos alimentos e serviços básicos surge numa altura em que o país enfrenta desafios económicos ligados aos combustíveis, mobilidade urbana e recuperação do poder de compra. Analistas consideram que a inflação poderá igualmente afectar pequenos negócios, actividade informal e estabilidade social em algumas zonas urbanas. A evolução dos preços continuará a ser acompanhada de perto devido ao impacto directo sobre custo de vida e dinâmica económica nacional. O controlo da inflação permanece um dos maiores desafios económicos actuais em Moçambique.
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Edição e Verificação Editorial
Na perspetiva da Voz do Índico, os dados do INE confirmam que o aumento do custo de vida continua a ser uma das maiores preocupações económicas e sociais em Moçambique. A pressão sobre os preços dos alimentos mostra como sectores mais vulneráveis da população permanecem fortemente expostos às oscilações do mercado e aos custos logísticos nacionais. Embora a inflação registada ainda esteja abaixo de cenários extremos observados noutras economias africanas, o impacto acumulado sobre salários, transporte e alimentação está a reduzir progressivamente o poder de compra das famílias. O desafio para as autoridades será evitar que a pressão inflacionária se transforme num factor adicional de instabilidade social e económica.